Em 1957, quando a situação política fervia, com os candidatos à sucessão de Juscelino Kubitschek começando a aparecer, travou-se, na Câmara Federal, o seguinte diálogo entre Carlos Lacerda e Batista Ramos, a respeito de uma firma madeireira da qual se dizia que João Goulart era sócio.
Carlos Lacerda - Aqui está! A certidão da Junta Comercial do Rio Grande do Sul, sob o nº 42277...
Batista Ramos - Permita-me
Lacerda - Um momento, nobre deputado. Não aparteie a certidão! Aparteie o orador! ... que fazem parte João Goulart e outros sob o nome de Madeireira Vale do Uruguai Ltda. Quem são os outros?
Ramos - Maneco Vargas , João Goulart e outros...
Lacerda - Quem é Maneco Vargas ?
Ramos - V. Exa o conhece tanto quanto eu.
Lacerda - Não.
Ramos - Conhece... Não faça espírito para desviar o assunto. V. Exa está fazendo confusão entre essa Sociedade, fundada em 1947 e que não funcionou...
Lacerda- E a outra?
Ramos - Sociedade de Roncheti, com o mesmo nome.
Lacerda - Com quem?
Ramos - ...da Argentina.
Lacerda - Era individual, mas com quem? Diga!
Ramos - Já está no processo. Eu vou dizer...
Lacerda - Quem era o sócio? Diga!
Ramos - Não era o sr João Goulart! Desafio V Exa a provar.
Lacerda - Quem era o sócio? Maura Ronchetti? Manoel Sarmento Vargas?
Ramos - Não era... Desafio V Exa a provar.
Lacerda - Vamos ver.
Ramos - Vamos serenar os ânimos. Não vamos competir em vozes.
Lacerda - V. Exa serena sempre na hora que lhe convém e sempre me encontra disposto a acompanhá-lo.
Ramos - Vamos serenar porque é hora de raciocínio.
Lacerda - E V Exa tem hora para isso? (Risos)
Contado por Rui Bertoti