Lençóis Paulista - “Em 15 anos de profissão, é a primeira vez que eu vejo uma coisa dessa.” Com essa afirmação, o delegado Luiz Cláudio Massa, de Lençóis Paulista (43 quilômetros a sudeste de Bauru), definiu uma ocorrência inédita e inusitada registrada ontem à tarde na cidade.
Uma auxiliar de enfermagem foi denunciar um roubo e acabou presa por furto. Num primeiro momento, pode parecer estranho, mas foi isso mesmo que aconteceu. N.M.P., 42 anos, moradora na Vila São João, procurou a polícia no começo da tarde para denunciar o roubo de sua bolsa.
Ela relatou aos policiais que uma outra mulher a teria agredido com socos e chutes para conseguir roubar sua bolsa e fugiu em seguida. A Polícia Militar foi acionada e pouco tempo depois conseguiu localizar uma suspeita. A desempregada J.L.O., 19 anos, moradora na Cecap, foi reconhecida pela vítima, mas a bolsa não estava mais com ela. Apenas as iniciais das envolvidas foram divulgadas pela polícia.
J.L.O. contou que havia jogado a bolsa em um terreno baldio. Os policiais foram até o local indicado pela acusada e localizaram a bolsa. Mas os policiais notaram que dos objetos de valor que estariam na bolsa, segundo descrição da auxiliar de enfermagem, faltava o telefone celular.
Eles vasculharam o terreno e não encontraram nada. Como havia um óculos escuro com adesivo de uma loja da cidade dentro da bolsa, os policiais foram até o estabelecimento para se certificarem de que a auxiliar de enfermagem não havia esquecido o celular no local.
Lá, eles descobriram que o óculos havia sido roubado da loja momentos antes pela auxiliar de enfermagem. Ou seja, antes de ser roubada na rua, N.M.P. havia furtado o óculos em uma ótica da cidade.
Resultado: as duas mulheres foram indiciadas e mandadas na mesma viatura para a cadeia feminina de Cabrália Paulista. “Elas foram algemadas, uma do lado da outra”, relatou o delegado.
Massa informou que a auxiliar de enfermagem responde atualmente a outros inquéritos policiais por estelionato. Segundo o delegado, ela teria se utilizado de talões de cheques dos pacientes que ela cuidava em uma casa recuperação para alcoólicos. Após as denúncias, a casa foi fechada.