09 de julho de 2026
Bairros

Estrutura não é ideal para ação de porte

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Os esforços e o trabalho bem-sucedido dos bombeiros em situações de resgate e extinção de incêndios não deixam de esconder uma realidade: a inadequação da estrutura e dos equipamentos da corporação para o atendimento de emergências de grande porte em toda a região, como o incêndio ocorrido anteontem no depósito do supermercado Confiança Max, em Bauru. A utilização de viaturas e maquinário antigos, com manutenção precária, soma-se à falta de novos equipamentos e investimentos do governo estadual e municipal.

O vereador Arildo de Lima Júnior (PP), que é bombeiro há 16 anos, aponta que a precariedade dos equipamentos da corporação é motivada pela falta de conscientização pública sobre segurança municipal. “Somente o homem não consegue debelar um incêndio, é preciso equipamento. Falta não só aquisição de equipamentos novos mas também manutenção. São equipamentos caros e seriam de responsabilidade da prefeitura. Entendo a posição do município, mas a sociedade precisa cobrar sua segurança”, observa.

Entre as principais dificuldades apontadas pelo vereador está o combate a um possível incêndio em prédios. “É a situação mais difícil que pode ser combatida. Além das viaturas de combate, é necessário uma viatura que faça o combate do fogo por cima. Temos o helicóptero que poderia colaborar muito nessa situação, até mesmo para o resgate de vítimas, mas falta uma estrutura adequada”, comenta.

O major José Guerxis de Aguiar, comandante interino do 12.º Grupamento dos Bombeiros, defende que a estrutura que a corporação possui condiz com a realidade das ocorrências da cidade. Ele exemplifica e destaca que a atuação dos bombeiros foi correta e bem-sucedida na ocorrência do supermercado Confiança Max, com o combate direto e circunscrição do foco de incêndio. “Administramos uma realidade. Não usamos viatura aérea porque não era ocorrência para isso. Montamos várias frentes para proteger o prédio, com inúmeras linhas de ataque. Por isso utilizamos os caminhões das empresas (que forneceram água para extinguir o fogo)”, diz.

Aguiar completa que o procedimento normal, em casos de grandes emergências, é justamente o direcionamento de toda a corporação para o atendimento da ocorrência. “Quando as primeiras viaturas chegaram ao local, sentiram a dimensão do incêndio e acionamos o plano de contingência, direcionando para atender o necessário. A maior necessidade era o supermercado”, frisa.

Em sua opinião, a estrutura que o Corpo de Bombeiros possui é condizente e proporcional à realidade municipal, especialmente por conta da mobilização para obtenção de ajuda externa em casos extremos.

“Não adianta ter uma estrutura de 25 caminhões, como estávamos trabalhando ontem (anteontem), para uma ocasião que acontece a cada 20 anos. Não é uma coisa de todo dia, então nossa estrutura atende essa realidade. Se você tem uma situação fora da normalidade, é uma tragédia, e o aprendizado com essa emergência foi nosso poderio de mobilização”, finaliza Aguiar.

____________________

Lojas

Com o controle das chamas, os bombeiros permaneceram durante todo o dia de ontem de prontidão no depósito do supermercado para eventuais focos de incêndio restantes. De acordo com o proprietário da rede Confiança, Jad Zogheib, o próximo passo deve ser a retirada de todo o material perdido, assim como da cobertura do depósito, completamente danificada.

“Devemos montar uma estrutura auxiliar, um depósito externo, para retomar as atividades rapidamente, pois não aconteceu nada com a loja. Queremos retirar esse mal e apagar essa lembrança.”, indica o empresário.

Ainda não há definição de reabertura do Confiança Max, apesar do prédio não ter sido danificado. As lojas localizadas na praça interna do supermercado, no entanto, já voltaram a funcionar. “As lojas não foram afetadas. Cerca de 80% dos nossos clientes são os consumidores do Confiança. Acredito que o movimento deve cair nesses dias, mas também acreditamos que a loja deve ser reaberta normalmente em alguns dias”, comenta Rodrigo Macedo, proprietário de duas lojas no local.