08 de julho de 2026
Cultura

Estática do mal

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Os mortos se deixam ver, os mortos voltam com raiva, os mortos pegam quem assiste a uma fita de vídeo amaldiçoada e agora eles também se comunicam pela televisão! Brincadeiras à parte, o filme “Vozes do Além”, que estréia hoje nos cinemas de Bauru, usa os estudos de Electronic Voice Phenomena (EVP, ou Fenômeno de Voz Eletrônica) para tentar assustar o público, numa trama de suspense sobrenatural e assassinato.

Na verdade, o EVP não é uma invenção do cinema. Alguns estudiosos dedicam suas pesquisas à possibilidade da recepção de mensagens de pessoas mortas através de aparelhos eletrônicos, como TVs, rádios e videocassetes. É uma pena que, em “Vozes do Além”, um assunto supostamente sério seja tratado de forma tão banal e desarticulada, a serviço de uma história fraca.

No filme, o arquiteto cético Jonathan Rivers (o sumido e bacana Michael Keaton, de “Batman”) rejeita inicialmente a idéia de que sua falecida esposa (Chandra West) esteja se comunicando pela estática da TV ou do rádio. Com o tempo, ele passa a encarar a comunicação com o outro lado como uma verdadeira obsessão, deixando de lado a profissão e o filho. A situação se agrava quando Rivers percebe que algumas das mensagens que ele recebe parecem ser pedidos de socorro.

Na divulgação do filme, o diretor Geoffrey Sax, em seu primeiro longa para um estúdio de Hollywood, tenta salvar seu enredo com a explicação mais óbvia. “É uma idéia fascinante. Acho que 99 em cada 100 pessoas não perderiam a chance de passar 30 segundos com alguém que não está mais entre nós. Muitos dariam até um ano da sua vida por isso. Eu também daria”, revela.

No entanto, o enredo sobrenatural na carona de “O Sexto Sentido” e “O Chamado” ganha aspecto de estática quando o roteiro, sem a menor cerimônia, faz uma curva e se torna um filme sobre um serial killer. Nem mesmo os sustos quase eficientes salvam a produção a partir daí.

No material de divulgação de “Vozes do Além”, Keaton comenta como viu no filme a oportunidade de contar uma “história atemporal sobre um homem simples numa jornada exraordinária”, em busca de respostas num território supostamente desconhecido e perigoso.

“Vemos Rivers começando uma nova vida depois do fim de seu primeiro casamento. Ele encontra a mulher de sua vida e quando as coisas vão se acertando, ela morre. É uma segunda perda em pouco tempo, e aí vemos a degradação dele e o terror que assombra sua vida enquanto ele luta para ter acesso ao outro mundo e manter os últimos vestígios de sua sanidade”, conta o ator. Agora que as contas já estão pagas, Keaton, procure um roteiro melhor.

Meia-entrada

As bilheterias do Cine Bauru e do Cine Center estão mais acessíveis a partir de hoje. Durante todo o mês de abril, a Cinematográfica Araújo vai cobrar apenas meia-entrada de todas as pessoas, em todas as sessões. De acordo com a empresa, a promoção é uma homenagem ao público que prestigia o cinema nas salas do grupo. A partir de hoje, o ingresso para as salas do Cine Bauru custa R$ 3,00, e do Cine Center, R$ 4,00.