Não é preciso ser gênio para compreender a importância da direção para os automóveis. Afinal de contas, é ela, comandada pelo motorista, quem “governa” os destinos do carro. Entretanto, mesmo diante de tanta relevância para os veículos, são poucos os condutores que efetuam a manutenção regular no equipamento e muitos que alimentam “vícios” ao volante extremamente prejudiciais ao sistema.
Para o instrutor automotivo Lourival Ortiz de Camargo, da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), o primeiro passo para saber como manter a direção em ordem, e também evitar hábitos nocivos enquanto se dirige, é conhecer as diferenças entre elas. “Atualmente, há quatro sistemas direcionais distintos”, explica Camargo.
Mas, apesar das distinções técnicas, há cuidados básicos que devem ser tomados independentemente do sistema. Um dos principais, segundo o instrutor do Senai, é evitar movimentar o volante enquanto o veículo estiver parado, principalmente se a direção for do tipo convencional. “É a que mais sofre com esse mau hábito, mas as outras também são afetadas. Fazer isso sacrifica o conjunto dos componentes das direções”, alerta.
Ainda ao volante, Camargo ressalta a necessidade de evitar manobras bruscas ao utilizar o limite do curso da direção. “Girar o volante até o máximo possível só deve ser feito em caso de precisão absoluta e, mesmo assim, deve ser feito com suavidade para não forçar os componentes do conjunto direcional”, salienta.
Outra providência igualmente fundamental é manter a direção sempre alinhada, procedimento que preserva não apenas o sistema, mas também a vida útil dos pneus. “Quando o alinhamento está irregular, a direção pode até ficar mais dura, mas os pneus certamente sofrerão desgaste prematuro”, adverte Camargo. Além disso, as direções e seus componentes também “avisam” quando necessitam de reparos. Os mais comuns, conforme o instrutor automotivo, são as folgas no volante e os barulhos. “Eles podem ser facilmente percebidos com um pouco de atenção ao comportamento do carro”, orienta Camargo.
Os “sintomas” de folgas nos sistemas são a instabilidade dinâmica do veículo e a movimentação deficiente dos pneus. “Em uma rodovia, por exemplo, o motorista sente o automóvel meio nervoso e difícil de guiar. Outro indício é quando a pessoa gira o volante para os lados e a roda não mexe”, ensina o instrutor.
Já para notar os ruídos nas direções, Camargo esclarece que os mesmos assemelham-se aos ocorridos nas suspensões. “Muitas vezes, eles são confundidos com os barulhos oriundos dos componentes das suspensões. Por isso, é bom ficar atento quando ouvir algo diferente proveniente desses locais”, esclarece Camargo.
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Atenção diferenciada
Os diferentes sistemas de direções também exigem cuidados particularizados. No caso das mecânicas, conforme explica o instrutor automotivo Lourival Ortiz de Camargo, da unidade bauruense do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (Senai), é imprescindível observar o estado de alguns componentes, como as coifas de borracha. “Se elas estiverem rasgadas, permitirão a entrada de impurezas e danificarão o conjunto”, alerta. Ainda nas direções convencionais, ele orienta também ficar atento com os vazamentos de óleo ou graxa.
Já nas hidráulicas a preocupação deve ser redobrada com o estado da correia de acionamento da bomba que assiste ao sistema, os ruídos e as folgas dos componentes, que devem ser ajustadas. Além disso, é fundamental checar o nível do óleo quinzenalmente”, salienta.
Camargo acrescenta que o proprietário do veículo deve ter atenção especial com o fluido da direção hidráulica, que deve ser sempre o recomendado pelo manual do fabricante. “É essencial cumprir essa regra. Aventurar-se com um óleo de outro tipo pode fazer com que o sistema não funcione e, o pior, o danifique seriamente. Isso devido às reações químicas provocadas pela composição diferente do produto utilizado”, adverte.
No caso das eletro-hidráulicas e das eletroeletrônicas, o instrutor recomenda igual cuidado com os vazamentos e, especialmente, a checagem do funcionamento do alternador do veículo, equipamento responsável pela recarga contínua das baterias. “Ele precisa estar em ordem, pois o consumo de corrente em manobras, nos veículos equipados com estas direções, aumenta muito, exigindo plena eficiência do alternador”, conclui.