08 de julho de 2026
Bairros

Poluição: o lado feio da cidade

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 4 min

Ao chegar ao patamar de cerca de 340 mil habitantes, Bauru vive os problemas comuns aos grandes centros: a poluição é um deles. Esse mal, que assola todo o mundo e condena o ser humano a um possível colapso no que diz respeito ao fornecimento de bens naturais, está espalhado em todos os meios e se manifesta na forma de incômodo ou até mesmo doenças na população.

Atualmente, o problema mais grave é a poluição dos rios e córregos que cortam o município. Sem tratamento de esgoto, a cidade despeja seus dejetos no rio Bauru e em seus afluentes, tornando a água sem vida, fétida e perigosa para os habitantes da cidade.

O promotor do Meio Ambiente, Luiz Eduardo Sciuli de Castro, lembra que a prefeitura não cumpriu o Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) acordado com o Ministério Público em 2000, no qual se comprometeu a providenciar a Estação de Tratamento de Esgoto até junho de 2004. “Estamos executando o município por isso”, frisa.

A multa diária de R$ 12 mil ainda não está sendo cobrada, mas está correndo no processo e a administração municipal poderá arcar com um grande prejuízo financeiro ao final do processo.

Além do dano aos cofres públicos, a falta de tratamento de esgoto leva a uma conseqüência maior. A contaminação dos rios incomoda a população e torna a vida de quem mora em regiões ribeirinhas um drama. “Temos que ficar de olho nas crianças para que elas não brinquem na água”, diz a dona de casa Anair Silva Pimentel, moradora do Parque das Nações, bairro cortado pelo Córrego Água da Ressaca.

Considerado um verdadeiro “esgoto a céu aberto”, o córrego recebe os dejetos de bairros da zona sul, além do lixo jogado pelos próprios moradores que vivem em sua margem.

O som que vem da rua

Conversar com as pessoas que moram no trecho central da avenida Rodrigues Alves não é uma tarefa fácil. Não porque elas não sejam receptivas - pelo contrário. O problema é que, em determinados horários, o som vindo das ruas ensurdece e torna o diálogo impraticável.

A aposentada Maria Teresa Godoy mora há seis anos em um prédio localizado na via, próximo ao cruzamento com a avenida Nações Unidas. Segundo ela, o barulho persiste até as 22h mais ou menos. “O pico é às 18h, quando o comércio fecha e o trânsito aumenta”, conta.

Apesar de se sentir incomodada com o som que vem da rua, ela já se conformou com a situação. “Quem mora no Centro da cidade tem que agüentar essas coisas”, salienta.

Para o neto dela, Felipe França, 10 anos, um dos maiores problemas gerados pela poluição sonora é que ela atrapalha o som da televisão e incomoda o sono. “Não dá para assistir nada direito na tevê. Às vezes, a gente acorda com o barulho dos carros”, lembra.

Pó e sujeira

Esse tipo de poluição não faz barulho, mas deixa muitos rastros e traz tantos transtornos quanto às outras maneiras de contaminação do meio ambiente.

A poluição atmosférica pouco é lembrada ao se falar nos problemas ambientais de Bauru. Mesmo assim, ela está presente em muitas casas e nas ruas, contaminando os habitantes de maneira direta ou indireta.

Como não tem um parque industrial tão grande e desenvolvido, como Cubatão, por exemplo, Bauru não recebe tantos resíduos de fumaça vindos das chaminés das fábricas.

Dessa forma, a concentração de gás carbônico em determinados pontos da cidade é o que mais causa transtornos e preocupação.

O porteiro Genésio Roberto, que trabalha em um prédio na região central, destaca que os moradores reclamam bastante da poeira. “O pessoal comenta que a casa não pára limpa.”

A aposentada Maria Teresa Godoy confirma a informação. “O apartamento está sempre sujo. Não dá nem para andar descalço, pois fica um pó preto no chão”, ressalta.

Pichações e etc.

A poluição visual é uma das mais subjetivas e, por causa disso, talvez seja a menos discutida e apontada pela população como um fator comprometedor para a saúde e o bem-estar.

No entanto, ela cresce a cada dia e se espalha pelos mais diversos pontos da cidade.

A poluição visual se manifesta através de pichações, excesso de fios entrelaçados nas ruas, placas, painéis e letreiros em demasia e até monumentos mal-cuidados.

O administrador de imóveis Silvio Garcia Júnior classifica o visual da cidade como “muito poluído”. “E não são apenas as pichações. As construções não têm um padrão linear e deixam um aspecto ruim na cidade”, acredita.

Para os moradores do Núcleo Geisel, o grande problema são as pichações, que se estendem pelos muros e fachadas das casas: nada fica livre da ação dos vândalos.

“A gente vê eles pichando, mas não pode fazer nada, senão vai ser a próxima vítima”, conta um morador que prefere não se identificar temendo represálias.