09 de julho de 2026
Saúde

Doença atinge 24 milhões de pessoas nas Américas

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

A pesquisa que vai seqüenciar o DNA do barbeiro é coordenada pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos e tem como parceiros vários países da América Latina, onde o inseto é considerado um dos maiores inimigos da saúde pública. De acordo com o médico Marcelo Morales, um dos coordenadores do estudo na América Latina, cerca de 24 milhões de pessoas são portadoras do mal de Chagas nas Américas.

No Brasil, são estimados 6 milhões de casos da doença, com quase 34 mil mortes por ano. “O País registra 5 mil a 10 mil casos novos da doença por ano. Por isso é um dos que mais estuda o inseto barbeiro no mundo”, reforça o pesquisador.

O genoma do barbeiro será seqüenciado por um consórcio mundial, envolvendo Brasil, Estados Unidos, Chile, Argentina, Uruguai, Canadá e França. O projeto original tem 35 pesquisadores. Destes, 26 são latino-americanos, dos quais 17 são brasileiros.

“É importante salientar que sem a participação dos brasileiros, esse projeto não teria condição nenhuma de ser aprovado, porque temos grande conhecimento e muitas pesquisas (sobre o inseto). Então, juntar esforços de toda comunidade científica mundial é extremamente importante e a comunidade brasileira foi fundamental para essa aprovação”, garante Morales.

Na opinião dele, apesar de ter alta prevalência, a doença de Chagas é pouco divulgada e estudada no mundo científico porque só é considerada problema de saúde pública em regiões carentes. Afeta, principalmente, regiões mais afastadas e pobres do planeta.

“Quem vai ser picado pelo inseto e vai adoecer são aquelas pessoas que vivem isoladas na zona rural, em casas de pau-a-pique, com cobertura de palha, casas de madeira ou de barro”, comenta.

Garapa

Nas últimas semanas, a doença de Chagas ganhou espaço na mídia nacional depois que dezenas de pessoas foram contaminadas pelo protozoário Trypanosoma cruzi em Santa Catarina. Pesquisas mostraram que a infecção ocorreu depois que elas ingeriram caldo de cana.

Foi a primeira vez que a comunidade científica anunciou publicamente que a contaminação poderia ocorrer por via oral. Até então, a única forma de transmissão divulgada era pela picada do barbeiro. “Que continua sendo a forma mais freqüente de transmissão”, observa Morales.

Diante desse quadro, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) tomou várias medidas para tentar contar a disseminação da doença. A primeira foi orientar os hemocentros públicos de todo o País a classificar como inaptas para doação de sangue qualquer pessoa que tenha tomado caldo de cana em quiosques da região cataririnense afetada.

Essa semana, a Anvisa também anunciou que vai promover, em parceria com o Sebrae, cursos de capacitação para vendedores informais de garapa. Eles serão instruídos sobre as boas práticas de higiene na manipulação de alimentos.