10 de julho de 2026
Saúde

Brasil investe R$ 5 milhões em pesquisas com células-tronco

Por Sabrina Magalhães | Com Agência Saúde
| Tempo de leitura: 2 min

A aprovação da Lei de Biossegurança há um mês representou um importante marco para cientistas brasileiros. Eles aguardavam autorização para iniciar pesquisas com as células-tronco embrionárias, que têm se mostrado muito promissoras para o tratamento de doenças até então incuráveis. Pois o governo brasileiro acaba de anunciar uma verba de R$ 5 milhões para financiar as primeiras pesquisas. O dinheiro estará disponível no final deste mês.

A verba está sendo liberada pelos ministérios da Saúde e da Ciência e Tecnologia, por meio do Conselho Nacional de Desenvolvimento científico e Tecnológico (CNPq). O valor poderá ser ampliado para R$ 8 milhões, dependendo de negociações entre os dois ministérios.

De acordo com os ministérios, a distribuição dos recursos levará em conta critérios regionais. Pelo menos 30% da verba será destinada a regiões menos desenvolvidas do País, como Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O financiamento será destinado para as pesquisas em fase pré-clínica (experimentos de laboratório e com animais) e fase clínica (experimentos em seres humanos).

As células-tronco são capazes de se transformar nos mais variados tecidos do organismo e os cientistas apostam que elas podem ser aplicadas para recuperar órgãos lesados em pessoas doentes. Mas, antes de estudar possíveis aplicações terapêuticas, os cientistas pretendem analisar melhor esse mecanismo de diferenciação celular, chamado transdiferenciação.

Essas células-tronco podem ser encontradas no organismo adulto (medula óssea), no sangue do cordão umbilical (coletado imediatamente após o parto) e em células embrionárias - óvulos fecundados. As células-tronco embrionárias são as que apresentam maior capacidade de se diferenciar e, por isso, são consideradas as mais promissoras para o estudo de tratamentos.

O Ministério da Saúde estima que existam cerca de 30 mil embriões congelados nas clínicas de fertilização assistida no Brasil. A Lei de Biossegurança, porém, estabelece algumas algumas restrições para a utilização deles em pesquisas.

Uma delas diz que os embriões só poderão ser usados por meio de doação, com consentimento dos pais. E só poderão ser estudados embriões que estiverem congelados há mais de três anos – quando não podem mais ser usados para gerar um bebê.

Coração

Antes mesmo da aprovação do estudo com embriões congelados, o Ministério da Saúde já havia autorizado investimentos no maior estudo com células-tronco adultas para tratamento de doenças do coração já realizado no mundo.

Serão investidos R$ 13 milhões para a avaliação de 1,2 mil pacientes com problemas do coração e a intenção é verificar a viabilidade de substituir o tratamento convencional pela terapia celular. A pesquisa envolve pacientes com infarto agudo do miocárdio, doença isquêmica do coração, cardiomiopatia e cardiopatia chagásica.

São quatro grupos de 300 pacientes. Metade receberá o tratamento tradicional e a outra será submetida à terapia celular, usando células-tronco da própria medula óssea.

Se for comprovada a efetividade do uso das células-tronco no tratamento dessas doenças cardíacas, isso pode significar uma redução de cerca de R$ 37 milhões por mês nos gastos do Sistema Único de Saúde (SUS). As doenças cardíacas são a primeira causa de morte no País atualmente.