O Ministério da Saúde (MS) anunciou, no ano passado, a criação de bancos públicos para armazenamento de sangue de cordão umbilical. Os bancos estão sendo montados junto a hospitais e serão acionados para coletar o sangue imediatamente após o parto. Depois da coleta, o material será processado para a extração das células-tronco, que ficarão congeladas à espera de um receptor.
A principal diferença entre os bancos de sangue públicos e privados é que as instituições públicas coletam o sangue doado e o repassam gratuitamente para o paciente que estiver precisando. Nas unidades privadas, a proposta é guardar o sangue para que possa eventualmente ser usado no próprio paciente, caso ele necessite das células-tronco um dia.
Em entrevista à Revista Radis, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), o médico Luiz Amorim, diretor do Instituto Estadual de Hematologia do Rio de Janeiro (HemoRio) critica a exploração do sangue de cordão umbilical com fins lucrativos. Segundo ele, os bancos privados cobram entre R$ 3 mil e R$ 5 mil para coletar, mais uma taxa anual de manutenção de aproximadamente R$ 1,5 mil e não há garantia de utilização do sangue.
“O risco desse procedimento é criar uma expectativa que não é muito verdadeira. O sangue do cordão umbilical tem muita célula-tronco, mas o volume é limitado. O cordão é pequeno, tem apenas 100 mililitros de sangue. Aquele volume transplanta uma criança, mas não transplanta um adulto. Também não transplanta uma criança gorda”, comenta.
“Além disso tudo, as células precisam ser compatíveis. Ou seja, a possibilidade de alguém utilizar esse sangue é remotíssima. Não dá nem para avaliar, mas é bem menos do que um para cada 100 mil”, acrescenta.