10 de julho de 2026
JC Criança

Mesmo sem conhecer o autor, criança vibra com suas histórias

Robeta Mathias
| Tempo de leitura: 3 min

Certamente muita gente conhece as histórias de Hans Christian Andersen, que completaria (se já fosse possível!) 200 anos ontem. O escritor dinamarquês (leia matéria nesta página) é lido com bastante freqüência – seja por gente grande ou pequena -, mas o crédito da criação nem sempre é lembrado.

Ana Amélia Evaristo Andreotti tem apenas 6 anos e não vê a hora de devorar as letrinhas com rapidez. Apaixonada por histórias de princesas, Ana Amélia gosta de ouvir histórias de seus pais e também de contar. “Antes de dormir, sempre chamo meu pai, que inventa uma história diferente. Às vezes eu peço para ele contar a do ‘Chapeuzinho Vermelho’, dos ‘Três Porquinhos’”, comenta. Ela já se acostumou a contar histórias para a irmãzinha Maria Clara, 3 anos. “É ela que escolhe a história que vou contar.”

Ela foi convidada pelo JC Criança a conhecer algumas histórias de Andersen, na Biblioteca Infantil “Ivan Engler de Almeida”, no Centro Cultural. “Descobri que tem algumas que já conheço, como da Sereiazinha e do Patinho Feio”, diz Ana Amélia. Ela aproveitou para ouvir a arte-educadora Luciana Capossi contar a história “A Roupa Nova do Rei”, também do autor. “Ao contar a história, é preciso explicar para a criança o que significa algumas palavras, assim ela vai se interessar mais pelo texto, como por exemplo tecelão (aquele que faz o tecido no tear), que aparece bastante nesta história”, comenta Luciana.

Ana Amélia, que já mergulhou em outros contos na escola, acha importante saber mais sobre quem “inventou” a história. “Normalmente eu não sei, porque ninguém fala. Só quando meu pai inventa, sei que é dele.” Nesse mergulho pela obra de Andersen, a pequena leitora descobriu várias versões de “A Pequena Sereia”. “Tem ilustrações diferentes também.” Ela não gosta quando o final é triste e prefere o final escolhido pela Disney, em que a sereiazinha se transforma em princesa e vive “feliz para sempre” ao lado de seu príncipe.

A arte-educadora conta que os textos originais dos contos de fada normalmente são procurados pelos pais. “As mães desejam que seus filhos conheçam os clássicos e procuram as histórias de Andersen, dos irmãos Grimm, mas as crianças conhecem muito pouco”, comenta. O mais popular entre a garotada é o brasileiro Monteiro Lobato. “Talvez, o Monteiro Lobato seja mais lembrado pelas crianças por causa do Sítio do Pica-Pau Amarelo, na TV. O interessante é que ele também recontou as histórias de Andersen em suas publicações.”

É verdade, a Dona Benta, avó de Pedrinho e Narizinho, sempre foi uma excelente contadora de histórias, deixando a turma toda do sítio com os ouvidos atentos e os olhinhos brilhando em cada aventura narrada. Luciana dá uma dica para a criançada que ainda não leu um clássico da literatura infantil, mas que deseja mergulhar nessa onda: “Pergunte para os adultos que época que foi escrito, peça uma referência de tempo, como por exemplo, no tempo da bisavó. Se tiver dúvida sobre alguma palavra, pergunte, procure no dicionário.” Cada história, contada ou recontada, traz uma nova informação. O mundo das letrinhas é muito fascinante, basta ter um pouquinho de interesse e deixar a imaginação construir o cenário da história. Dá para viajar no tempo, no espaço e até entender melhor os animais.

A Biblioteca Infantil “Ivan Engler de Almeida” fica no Centro Cultural (avenida Nações Unidas, 8-9) e funciona de segunda a sexta, das 9h às 12h e das 13h às 17h. Lá há muitos livros interessantes, inclusive os clássicos de Hans Christian Andersen.