09 de julho de 2026
Regional

Administrador da Funai fica no cargo

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar de toda a pressão feita por uma parte dos índios do Estado de São Paulo, especialmente das aldeias Kopenoty, Nimuendaju e Tereguá, em Avaí (39 quilômetros a noroeste de Bauru), o administrador da regional da Fundação Nacional do Índio (Funai), em Bauru, Amauri Vieira, será mantido no cargo.

A informação é da assessoria do presidente da Funai, em Brasília, Mércio Pereira Gomes. “O presidente está satisfeito com o trabalho do administrador Amauri”, afirmou a assessoria. Sobre a pressão feita por uma parte dos índios a favor da substituição, a assessoria foi categórica. “Atos administrativos não são feitos por imposição das comunidades indígenas”, informou Gomes por meio da assessoria.

Para reafirmar sua disposição em manter Amauri Vieira no cargo, o presidente da Funai declarou ainda que assim como o órgão “não escolhe os caciques, não compete aos índios escolher quem administra as regionais da Funai”.

Os cargos de administrador são de livre nomeação do presidente da Funai. Ou seja, são cargos de confiança e uma eventual exoneração compete exclusivamente ao presidente.

Apesar de demonstrar independência em relação à pressão exercida pelos índios, em fevereiro de 2001, uma manifestação semelhante resultou na exoneração do então administrador regional Rômulo Siqueira de Sá. Na época, a pressão das comunidades indígenas foi decisiva para a mudança. Dois meses depois da exoneração, Vieira assumiu a função com amplo apoio dos índios.

No mês passado, ou seja, quatro anos depois, uma parte dos índios iniciou nova manifestação para pedir o afastamento de Vieira. Segundo o cacique Darã, da aldeia Tereguá, em Avaí, uma espécie de porta-voz dos descontentes com a atuação de Vieira à frente da regional, o administrador “perdeu a confiança dos índios”.

Isso teria acontecido porque Vieira não afastou dois funcionários acusados de irregularidades na Funai de Bauru. Todos os procedimentos normais de investigação das denúncias foram tomados, segundo informou Vieira. “Se eu não tivesse tomado nenhuma medida para apurar as denúncias, aí sim, eu concordaria que não mereceria a confiança dos índios”, defendeu-se.

Na semana passada, um encontro reuniu 24 caciques na aldeia Piaçaguera, em Itanhaém, no litoral sul do Estado de São Paulo. Nesse encontro, as lideranças elegeram o cacique Antônio da Silva Awá, mais conhecido como Toninho Awá, como o substituto de Vieira. O cacique pertence a aldeia Renascer, de Ubatuba.

Prioridades

Mesmo cientes de que a exoneração de Vieira depende de decisão do presidente da Funai, os caciques quiseram com essa eleição pressionar ainda mais pela saída do administrador. Após a escolha, Awá definiu até mesmo as prioridades de um eventual governo à frente da regional, em Bauru.

Segundo ele, a preocupação maior seria pela demarcação das terras indígenas. Além disso, ele mostrou interesse em trabalhar em conjunto com as demais lideranças do Estado. Ao todo, a regional da Funai em Bauru representa cerca de 3,5 mil índios espalhados por 32 aldeias em São Paulo e no Rio de Janeiro.

É a primeira vez que as lideranças indígenas organizaram uma eleição para escolher um representante estadual. Segundo o cacique Darã, que esteve presente ao encontro, a documentação com a indicação de Awá seria encaminhada ao presidente da Funai. Segundo a assessoria, o presidente desconhece a indicação e reafirmou sua satisfação com o trabalho desenvolvido pelo atual administrador.