09 de julho de 2026
Regional

Exame de DNA desvenda latrocínio

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 2 min

Jaú - Até parece filme, mas na verdade o desfecho inusitado de uma investigação feita em Jaú (47 quilômetros a leste de Bauru) exigiu esforço e perspicácia da Polícia Civil. Graças a um exame de DNA, foi possível chegar até o autor de um latrocínio (roubo seguido de morte) registrado em agosto do ano passado.

Os policiais suspeitaram das manchas de sangue encontradas no muro da residência de Nelson Munhoz Sanches, 60 anos, na vila São Benedito. Eles deduziram que, ao tentar fugir da cena do crime, o suposto assassino acabou se machucando com os cacos de vidro fixados na parte de cima do muro. O sangue escorreu pela parede e chamou a atenção dos policiais que estiveram no local.

O muro foi raspado e o material encaminhado para análise em laboratórios especializados na Capital paulista. Ontem, finalmente, chegou o resultado. O sangue é de Dirceu Aparecido de Oliveira, 24 anos, que está preso no Centro de Detenção Provisória (CDP) de Jaú por causa de um outro crime.

Para comparar com o sangue encontrado no muro, a polícia passou a coletar sangue de alguns suspeitos e mandar para São Paulo. Ao todo, foram coletadas amostras de 15 pessoas. Segundo o delegado Edmilson Bataier, da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), quando chegou a vez de Oliveira ceder uma amostra do sangue, ele demonstrou muito nervosismo e acabou confessando ter participado do latrocínio.

Mesmo assim, o material foi enviado ao laboratório para que a polícia pudesse ter uma prova consistente para indiciar o acusado. Com a confirmação do resultado, Bataier anunciou que vai pedir a prisão preventiva de Oliveira, mesmo ele estando preso. O delegado teme que um eventual relaxamento da pena possa colocar o acusado em liberdade.

Oliveira foi apontado como um dos líderes da rebelião na cadeia de Barra Bonita no último dia 22 de março. Na ocasião, dois presos foram mortos pelos próprios detentos. A rebelião provocou estragos na cadeia e Oliveira teve de ser transferido para o CDP.

O crime

Oliveira contou aos policiais que entrou na casa de Nelson Munhoz Sanches para furtar cerca de R$ 1.000,00, no dia 25 de agosto do ano passado. Enquanto vasculhava o interior da residência, a vítima acordou. Antes de sair do quarto, Sanches foi golpeado com uma faca no tórax e na barriga e morreu no local.

O crime só foi descoberto uma semana mais tarde. O mau cheiro provocado pela decomposição do corpo da vítima chamou a atenção dos vizinhos, que avisaram a polícia. Sanches morava sozinho.

Sanches era visto pela vizinhança como uma pessoa reservada. Nos fundos da casa, ele mantinha uma oficina de ferro velho. Segundo os vizinhos, a vítima havia aumentado o muro e colocado cacos de vidros no topo poucos dias antes de ser assassinado. As investigações foram conduzidas pela DIG e por policiais do 1º Distrito Policial (DP) de Jaú.