Para alguns alunos, a merenda da escola não é uma opção alimentar atrativa. O estudante Armando Custódio Pinto, 12 anos, chega a fazer careta diante da possibilidade de tomar a sopa da escola. “Eu só como a merenda quando tem macarrão e arroz-doce”, ressalta.
Entre os adolescentes, há os que rejeitam enfaticamente a possibilidade de aderir ao cardápio escolar, como é o caso da estudante Letícia Pedroso Nascimento, 15 anos.
Mas a velha merenda também encontra consumidores assíduos. É o que afirma a merendeira da escola estadual Ernesto Monte, Elza Lúcia Silva Cirino, destacando que o cardápio oferecido pela escola é balanceado.
“Eu não tenho dinheiro para ficar comprando lanche na cantina. Mas, mesmo se tivesse grana, não iria comprar. Continuaria comendo a merenda da escola e guardaria o dinheiro para comprar outra coisa útil.
Além disso, a merenda é mais saudável”, observa a estudante Linda Regina Ramos de Almeida, 17 anos. Ela afirma, entretanto, que alguns estudantes, especialmente os adolescentes, têm vergonha de comer a merenda. “Alguns alunos tiram sarro”, conta.
Trazer alimento da própria casa também representa, para alguns adolescentes, motivo de constrangimento - uma espécie de “mico”, na linguagem natural do grupo. “Ou você passa mal de fome ou você come salgado da cantina”, diz a estudante Ana Cláudia Soares Viegas, 15 anos, demonstrando que leva ao limite esse tipo de preocupação.
Algumas escolas estaduais da cidade não possuem cantina. Esse é o caso da Ayrton Busch, no Parque Jaraguá, e da Edson Bastos Gasparini, no Núcleo Gasparini.
“Aqui não é uma escola em que os alunos têm condição de consumo, poder aquisitivo”, diz Celso de Alcântara, diretor da escola Edson Bastos Gasparini, justificando o porquê da inexistência de cantina nesta unidade de ensino.
Das 2.825 escolas de todo o Estado, que participaram da pesquisa desenvolvida pela Secretaria de Estado da Educação, 40,67% não têm cantina.