10 de julho de 2026
Articulistas

Bienal do Livro em Bauru


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Surpreendidos com a notícia de que a Imprensa Oficial do Estado de São Paulo (Imesp) cancelou a Bienal do Livro em Bauru, manifestamos nossa preocupação. Nas duas feiras já realizadas em nossa cidade, o sucesso de ambas foi indiscutível; na última, realizada na USC há quase dois anos, a presença de mais de oitenta mil visitantes testemunhou o interesse popular bauruense e das cidades da região. A presença da cultura em todos os seus segmentos foi ampla, alcançando todas as preferências pela leitura. Não podemos aceitar que a Bienal do Livro desapareça do nosso calendário oficial; que a cidade seja privada de tão importante e necessário canal de oportunidades para a divulgação e a ciência das letras; da presença de figuras de destaque na cultura nacional trazendo-nos seus talentos em suas palestras. De semear um campo fértil para a cultura, sempre bem-vinda na região. Bauru é parte importante de um País carente de conhecimentos; chega a ser absurdo o bloqueio de fronteiras, o fechamento de portas para a ânsia do saber, privando a sociedade na sua busca incontida de crescimento nas letras. Torna-se, até, uma atitude paradoxal com os princípios dos governos federal, estadual e municipais que propõem, em seus programas, a cultura das letras para todas as faixas etárias, acelerando, com entusiasmo, o estímulo ao hábito da leitura. Conversamos com o secretário municipal de Cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, que nos afirmou estar contatando a Imprensa Oficial para colher informações detalhadas dessa medida; para que possa, certamente, com interferência do prefeito Tuga Angerami, reverter a decisão da Imesp e fazer acontecer a 3.ª Bienal do Livro no segundo semestre deste ano, Conforme citado no Jornal da Cidade, a Imprensa Oficial declarou que “o evento não será realizado porque não houve solicitação por parte da Prefeitura de Bauru”. Não vamos questionar a alegação. Lembramos, apenas, que há tempo suficiente para o projeto e a realização da 3.ª Bienal do Livro, desde que, como sugeriu o deputado estadual Pedro Tobias, no JC, as forças culturais de Bauru, juntamente com empresários e o poder público municipal, se coloquem à disposição da Imprensa Oficial do Estado de São Paulo.

Na sociedade em que vivemos, ansiosa de descobrimentos, pelas dificuldades que sabemos existirem e pelas reduzidas oportunidades de adquirir conhecimentos através das letras, impedir acesso ao livro, é desservir, é violar direitos.

O autor, Munir Zalaf, é presidente da Academia Bauruense de Letras