08 de julho de 2026
Geral

Legião quer mais trabalho a meninas

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Com a experiência de quem já formou cerca de dez mil meninas, a Legião Feminina de Bauru (LFB) quer dobrar o número de adolescentes atendidas e de empresários colaboradores até o final deste ano. A meta, que coincide com o aniversário de 33 anos da entidade, é colocar no mercado de trabalho 250 menores aprendizes, além de dispor de 200 empregadores associados.

Atualmente, a LFB mantém 120 meninas empregadas em cerca de 100 empresas situadas no município. “De agosto (de 2004) a março deste ano já triplicamos o número (de adolescentes inseridas no mercado de trabalho). Outras 80 já fizeram o curso e aguardam empresa (interessada). Enquanto o emprego não aparece, elas podem fazer outros cursos. Sempre oferecemos atividades para não distanciá-las da entidade”, explica a presidente do LFB, Elizabeth Dainton Bernardes.

De acordo com ela, as adolescentes que conseguem vaga no mercado recebem remuneração de R$ 260,00. No entanto, a empresa contratante repassa à entidade R$ 335,40. A diferença é empregada para custear vale-transporte, uniforme, cursos, refeições, além da estrutura da entidade, que emprega oito funcionários e admite professores autônomos para ministrarem as aulas.

“Fizemos uma reforma e melhoramos muito (o prédio da Legião, situado na Praça Rodrigues de Abreu). Para o empresário é vantagem (empregá-las) porque para ele fica mais barato. Se uma menina não se adaptar, pode pegar outra. Depois, quando a menor aprendiz completar 17 anos e 11 meses, tem de ser contratada pela empresa”, informa Bernardes.

“Vale a pena”

Conhece bem o trâmite Marinês Manflin, proprietária da Provence Lingerie, rede de lojas especializadas em moda íntima. Já passaram pelo estabelecimento dela de dez a 15 meninas. Atualmente, uma delas está a poucos passos da gerência do departamento de atacado.

“Vale a pena (oferecer a chance às adolescentes). No mês passado, fiz uma palestra e tive a oportunidade de incentivá-las ao primeiro emprego. Deveriam divulgar mais (para o empresariado). Tem sempre gente perguntando”, diz.

O desconhecimento do segmento é apontado pela própria entidade como responsável pela queda no total de meninas empregadas. Anos atrás, 300 exerciam atividades no mercado de trabalho em Bauru. Atualmente, além das 80 que permanecem aguardando a oportunidade, outras 80 já foram selecionadas para freqüentar os cursos com duração de três meses. As aprovadas respeitam a faixa etária indicada e cursam no mínimo a 8.ª série do ensino fundamental.

Entre os critérios de seleção também estão o perfil da adolescente (que deve ser carente) e a prova (de matemática, português e conhecimentos gerais). “Elas passam por entrevista. As inscrições podem ser feitas em qualquer época do ano. Deficiências físicas não são impeditivas. Além disso, a Legião tem professores para dar reforço em caso de dificuldade na escola”, diz Bernardes.