09 de julho de 2026
Geral

Ruralista busca opção para o IPMet

Ieda Rodrigues
| Tempo de leitura: 2 min

Ao saber que a demissão dos oito funcionários do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) contratados através da Fundação da Universidade Estadual Paulista (Fundunesp) é irreversível, o Sindicato Rural de Bauru e Região busca uma saída para que a previsão meteorológica feita pelo órgão não seja prejudicada. A proposta de Maurício Lima Verde, presidente do sindicato, é alocar para o IPMet verba do governo estadual destinada ao programa de Microbacias Hidrográfica, para a construção de bacias de contenção de água da chuva.

Ele é enfático: a demissão de funcionários no IPMet será um retrocesso para agricultura de Bauru e região. “Atualmente, usamos a previsão de tempo para decidir a data do plantio, colheita e pulverização das plantações. No inverno, é com base na previsão meteorológica que podemos tomar medidas, como colocar o sistema de irrigação em funcionamento, para minimizar o impacto de geadas”, argumenta.

A proposta de Lima Verde é usar a verba do programa de Microbacias Hidrográficas - entre R$ 200 mil e R$ 300 mil - para pagar os funcionários da Fundunesp por, pelo menos, um ano. “Seria uma saída provisória, mas é melhor do que perdermos meteorologistas, técnicos e engenheiros de radar”, diz. Ele disse que levará a proposta hoje ao secretário da Agricultura, Duarte Nogueira, a quem já enviou ofício solicitando que as demissões fossem revertidas.

A Fazenda Shangrilá, grande produtora de laranja na região de Bauru, por exemplo, recebe as informações meteorológicas em boletins diários, por e-mail. “Através do boletim, temos a previsão do tempo com uma semana de antecedência. Essas informações são riquíssimas para iniciarmos a colheita, o plantio e outras atividades, como a pulverização. Se chover após a pulverização, perde-se o poder residual do produto”, atesta Marcelo Lima, gerente da fazenda.

As demissões são irreversíveis e, por enquanto, a Universidade Estadual Paulista (Unesp) não tem planos de abrir concurso público para substituir os funcionários que serão dispensados. É esta a notícia dada pelo diretor do IPMet, Roberto Calheiros, que anteontem participou de reunião em São Paulo para discutir as demissões.

Ontem à tarde, Calheiros não atendeu a reportagem do JC porque estava em reunião com os funcionários do órgão para comunicar a decisão da Unesp e estudar como o IPMet vai funcionar daqui para frente. Na semana passada, ele disse que haverá prejuízo na prestação de serviços. A hipótese mais cogitada é suspender um dos turnos do serviço de previsão meteorológica, que atualmente funciona 24 horas.

A demissão na Fundunesp foi anunciada no início do mês passado pelo reitor Marcos Macari porque os contratados pela fundação não são funcionários públicos e estão trabalhando em órgãos públicos. Eles foram contratados através de processo seletivo. O IPMet tem 45 funcionários, dos quais oito são contratados pela Fundunesp. Alguns já foram demitidos e outros estão terminando de cumprir aviso prévio.