09 de julho de 2026
Bairros

Plano paralelo combaterá leishmaniose

Luciana La Fortezza com Redação
| Tempo de leitura: 3 min

O combate à crescente epidemia de leishmaniose em Bauru depende da aprovação de um projeto de lei para ganhar novo aliado. Se aprovado pelo Legislativo, a administração municipal e o governo do Estado implementarão na cidade um novo programa de controle da doença, que só neste ano já provocou uma morte. A estratégia prevê registro, identificação e estímulo à castração da população canina, atualmente estimada em 70 mil.

Como o sistema implicará em custos adicionais à administração municipal, ele depende do respaldo da Câmara para entrar em vigência. “No máximo entre 120 e 180 dias já estará rodando. Nós não vamos erradicar (a leishmaniose), mas é uma ferramenta a mais. Vamos focar especialmente a posse responsável”, explica diretor do Departamento de Saúde Coletiva da Secretaria da Saúde de Bauru, Mario Ramos.

De acordo com ele, nesta nova fase, o papel do ser humano no tratamento do cão será priorizado. Até agora, os trabalhos de conscientização destacavam o ciclo de contágio da doença, cujo vetor é mosquito palha. O inseto se reproduz em material em decomposição e, quando infectado, transmite a doença a cães e humanos. Só neste ano, sete pessoas contraíram a moléstia. No total, 51 casos em humanos foram registrados desde 2003, sendo que cinco morreram.

“O (novo) programa de combate consiste em várias ações paralelas. O registro e identificação dos animais (por parte do Centro de Controle de Zoonoses) e a instalação de coleiras e chips é uma delas. Mas não adianta só isso, se o quintal continuar sujo”, acrescenta Ramos. Por essa razão, serão mantidos os trabalhos educativos, de vistoria ambiental, monitoramento da sorologia dos animais e a busca ativa de novos casos em humanos nas áreas onde já casos.

Parcerias

“Para que tenhamos resultado é preciso contar com a parceria de organizações não-governamentais, clínicos veterinários, imprensa e principalmente da população”, enfatiza o diretor do departamento de Saúde Coletiva, que não descarta a possibilidade de cobrar do munícipe mais abastado a instalação de chip e coleira repelente. A média de preço deles no mercado é de R$ 12,00 e R$ 5,00, respectivamente.

“O cão de rua que não tem dono terá de ser capturado. Se estiver negativado (para a doença), será castrado e identificado. Receberá, vermífugo, coleira e será chipado. Entrará para a campanha de adoção. Quem receber o animal, será orientado sobre a posse responsável”, informa Ramos.

Quando alguém quer adotar um cachorro deve conhecer sua procedência, saber se está vacinado, vermifugado e, de preferência, castrado, acrescenta a assistente técnica da Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria Estadual da Saúde, Adriana Vieira, à assessoria de imprensa da prefeitura.

Mas na opinião dela, o procedimento só é possível se houver um controle da prefeitura, sendo que o registro dos animais no CCZ resolve a questão. “Isso dará aos técnicos da saúde a possibilidade de saber de que forma o animal está sendo mantido. Muita gente deixa os animais cruzarem e abandonam os filhotes”, conclui.

____________________

‘Milagre’

“Esse deve ser o primeiro milagre do papa João Paulo II”. A frase da presidente da organizações não-governamental (ONGs) União Protetora dos Animais (Uipa), Ângela Maria Heiffig da Silva, demonstra a surpresa com que ela recebeu do JC na notícia do programa paralelo de controle à leishmaniose a ser implementado pela administração municipal.

“É tudo o que nós defendemos desde 1995. Na época, nos reunimos com o presidente da Comissão de Saúde da Câmara. Duas entidades iriam subsidiar a parte financeira do programa, mas a prefeitura teria de entrar na campanha. Na ocasião, ela não se interessou. Será que agora eu estou sonhando?”, questiona.

Admiração também demonstrou o veterinário Paulo José Baccan Maximino, para quem a nova estratégia é viável. “O mais importante é a identificação dos cães. Pela Constituição, o animal é um bem e é o proprietário que tem de arcar com (a responsabilidade sobre) ele”, enfatiza.