08 de julho de 2026
Polícia

Grávida é estuprada na volta da escola

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

Não adiantou suplicar ao agressor, nem enfatizar que estava grávida de dois meses. Apesar das tentativas, uma mulher de 23 anos tornou-se a terceira vítima de estupro neste ano em Bauru. Ela foi abordada anteontem à noite na passagem que liga o Núcleo Habitacional Gasparini à Pousada da Esperança, conforme registro na Polícia Civil.

“Até exagerei. Disse que estava fazendo tratamento para não perder o bebê. Ele falou para eu ficar sossegada que eu iria gostar do que ele faria comigo e que eu não perderia o bebê. Ele perguntava se eu estava passando bem. Não demorou muito comigo porque ele ouviu vozes”, diz a moça, cujo nome é preservado pelo JC para evitar constrangimento.

Ela conta que foi abordada por trás pelo homem - descrito como pardo, com cerca de 1,6 metro, com bigode e rosto bem magro -, quando voltava da escola. “É a primeira vez que passo por lá sozinha. Meu marido não pôde me buscar porque está operado e não vim de carona porque minha amiga saiu com outra colega minha. Eu já estava com medo (antes de terminar a aula)”, relata.

A preocupação não seria em vão. Ao ser imobilizada pelo agressor, ele a teria ameaçado de morte, empurrado para o matagal e pedido que se despisse. A vítima disse ter tirado as roupas da cintura para baixo. O homem, desde o início da abordagem, já estaria com a calça jeans arriada. Ele também estaria vestindo blusa preta com lista vermelha nas mangas.

“Nunca vi esse cara antes. Quando acabou, fui para a casa da minha irmã. Minha mãe estava lá. Preferi não falar direto para meu esposo. Depois, minha mãe me levou para casa e me ajudou a contar. Ele chorou. Eu não paro de chorar desde ontem. Meu filhinho (de 3 anos) pede para eu parar. Foi a pior coisa que me aconteceu. Fiz os exames (na Maternidade Santa Isabel) e está tudo bem (com o bebê). Fui medicada”, afirma a vítima.

Ela também foi submetida ao exame de corpo de delito realizado pelo Instituto Médico Legal (IML), informa a policial da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Marilda Pansonato Pinheiro. “Ela disse que tomou banho em casa. Depois, acionou a polícia. Vamos aguardar o resultado (do exame) para saber se houve lesão, se ficou alguma secreção”, explica a delegada.

Segundo ela, a moça não soube informar se houve ejaculação por parte do agressor, que está sendo procurado. “Nós levamos um álbum de foto (para que ela pudesse reconhecê-lo dentre suspeitos). Ela disse que algumas pessoas têm semelhanças (com o agressor), mas não reconheceu ninguém”, acrescenta Pinheiro. Segundo ela, a moça deu falta de R$ 3,00, do estojo escolar e dos óculos de grau.

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Semelhanças

As circunstâncias em que as ocorrências de estupro foram registradas neste ano em Bauru são idênticas, ressalta a delegada da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), Marilda Pansonato Pinheiro. De acordo com ela, nos três casos as vítimas transitavam sozinhas, em local escuro e ermo.

“O fato delas estarem nas mesmas condições (é a única semelhança). Sei que não é porque elas querem, mas não é uma série. Não há motivos para alarde e pânico. As descrições são diferentes e um já está preso”, informa a delegada.

No mês passado, o catador de materiais recicláveis Odair José da Silva Venâncio, 29 anos, foi reconhecido por uma auxiliar de enfermagem de 23 anos, estuprada em seu local de trabalho, na casa de uma mulher de 83 anos, situada na zona sul.

O caso dela, foi o primeiro registrado em 2005, que já soma três. No mesmo período do ano passado, apenas uma ocorrência foi registrada pelo JC. Mas 15 dias depois da primeira ser notificada em 2005, uma jovem de 26 anos ficou gravemente ferida após ser estuprada e golpeada com uma tesoura. Ela, que recebeu alta na última segunda-feira, foi atacada por um homem desconhecido, armado de uma tesoura ao atravessar uma passarela sobre a rodovia Marechal Rondon.