08 de julho de 2026
Bairros

Mosquitos são a grande ameaça

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 3 min

Minúsculos, mas com um poder de fogo gigante. Assim são os mosquitos, uma das maiores pragas da cidade. Dois deles em especial merecem atenção redobrada da população e dos órgãos de saúde: o palha e o aedes aegypti.

O primeiro é o transmissor da leishmaniose, doença que já matou duas pessoas neste ano e contaminou sete. O outro é o vetor da dengue, um mal que vem sendo combatido veementemente em todo o País.

De acordo com o coordenador da Defesa Civil de Bauru, Álvaro de Brito, essas duas pragas são as mais terríveis do município, não só pelas doenças que carregam consigo como também pela fácil proliferação. “A população não se dá conta que está alimentando essas pragas. Por isso, não cuida como deveria do seu meio”, frisa.

O secretário municipal do Meio Ambiente, Carlos Alexandre Menezes Barbieri, concorda com Brito. “As pessoas não se dispõem a fazer a limpeza em seus quintais, em volta de suas residências, e isso é o que mais estimula a proliferação das pragas, principalmente os mosquitos”, salienta.

Ele conta que em uma campanha para a erradicação da dengue realizada no município, a prefeitura disponibilizou 15 caçambas para que as pessoas depositassem lixo e entulho acumulados em seus quintais. “Nem 10% delas foram utilizadas”, comenta o secretário.

Por outro lado, os habitantes de Bauru cobram das autoridades maior dedicação e atenção com a cidade. “O mato toma conta do bairro, os buracos aumentam a cada dia, tudo isso é uma maneira de facilitar a proliferação das pragas”, salienta a dona de casa Maria Aparecida Cardoso dos Santos.

A professora aposentada Darci Xavier Letter destaca que, muitas vezes, é preciso a população se mobilizar e tomar a iniciativa de cuidar de áreas públicas para evitar um aumento ainda maior das pragas. “Aqui em frente de casa, o terreno é da prefeitura, mas somos nós, os moradores, que o mantemos limpo. Se a gente não paga para capinar, fica cheio de mato. Aí junta escorpião, cobra, pernilongo”, destaca.

Leishmaniose

Uma das maiores preocupações da população de Bauru hoje é com relação à leishmaniose. A doença, transmitida pelo mosquito-palha, pode matar humanos e seus “melhores amigos”, os cães.

Até quarta-feira, já haviam sido contabilizados sete casos na cidade e duas mortes em decorrência da doença.

Combater a leishmaniose é muito mais que uma questão de saúde pública. Implica em educação ambiental, um assunto que ainda está longe de ser pautado, tanto pela população quanto pelo poder público.

Como o mosquito-palha se reproduz em locais com alta incidência de lixo e esterco, é preciso eliminar os criadouros, mantendo os quintais e terrenos limpos. “O lixo doméstico é prioridade máxima para o CCZ (Centro de Controle de Zoonoses)”, destaca o médico veterinário Mário Ramos de Paula e Silva, diretor do Departamento de Saúde Coletiva (DSC) da Secretaria Municipal de Saúde (SMS) de Bauru.

Ele lembra que as criações de galinha são um grande atrativo para o mosquito-palha, bem como frutas que apodrecem no chão. “São locais propícios para a procriação desse inseto”, destaca Silva.

Outro problema no combate à leishmaniose é a contaminação dos cães. O controle até pode ser feito nos animais que possuem dono. Porém, o número de cães errantes dificulta ainda mais a profilaxia, já que eles levam a doença de uma região para outra da cidade.

Dengue

Enquanto o mosquito-palha se reproduz em locais com material orgânico em decomposição, o aedes aegypti, transmissor da dengue, prefere água limpa e parada.

A doença, que se tornou uma perigosa epidemia no País desde a década passada, já está mais sob controle.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, de janeiro a março deste ano, foram registrados 573 casos da doença no Estado, contra 1.197 no mesmo período do ano passado.

Apesar disso, não se pode ficar tranqüilo. Os cuidados com relação aos criadouros devem ser mantidos pela população. E o governo tem de ficar atento às medidas de erradicação do aedes aegypti. “O mosquito da dengue é caronista e pode chegar até a cidade vindo de outras regiões”, destaca Brito.