08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Os cachorros da Uipa


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Mais uma vez quem saiu perdendo foram os animais. A presidente da Uipa em Bauru (União Internacional Protetora dos Animais), sra. Ângela, numa matéria deste jornal, conseguiu desmerecer o trabalho de um valoroso voluntário da causa animal. Pessoas como ele travam uma luta diária para cuidar de cães jogados na rua, doentes, magros, feridos, enfim, ele socorre cachorros de pessoas insensíveis e irresponsáveis que abandonam seus animais quando velhos, enfermos ou atropelados. Além disso, tenta tirar a posse de cães maltratados pelos donos, os que sofrem agressões ou ficam presos o tempo todo em correntes. Recebe ajuda esporádica de alguns que se penalizam com a sorte dos pobres bichos. Contou também com uma matéria do JC que alertou para o problema. A Uipa também realiza esse trabalho, só que esse é o seu papel, é uma sociedade protetora criada exatamente para essa finalidade.

Embora os cachorros da Uipa não estejam mais aos cuidados deste voluntário, segundo declarações da sra. Ângela, a herança ficou porque muitos aproveitadores, sabendo da situação, continuaram a jogar cachorros em sua porta. Obviamente, ele acaba por socorrê-los e aí entra a questão crucial: não tem condições financeiras para arcar com os gastos todos.

Em vista disso, as integrantes da Uipa deveriam unir-se para defender incondicionalmente os animais, deixando de lado os desentendimentos pessoais e resolvendo particularmente seus desajustes. Realmente, os animais estão mal representados: há poucas pessoas que se dispõem a tão penoso trabalho; os veterinários que estão há anos administrando o Centro de Controle de Zoonoses não demonstram competência nem vontade para resolver a causa animal, segundo declarações ao jornal da própria Uipa; os animais de rua não contam com serviços públicos (a não ser para sacrificá-los no CCZ).

Projetos importantes, como o da regulamentação de carroças, não saíram do papel por descaso ou temor dos vereadores. Nessa ocasião, o chefe do CCZ, dr. Neto, deu um bom empurrãozinho para que o projeto não fosse aprovado, dizendo ao jornal que não havia condições financeiras nem estruturais para isso.

Quer dizer, não estava preocupado com a regulamentação que lutava por minorar o terrível sofrimento dos animais de tração, mas sim com a aplicabilidade dela, que poderia ser resolvida com disposição e luta por verbas, numa segunda etapa. Esses são exemplos de que os animais estão na última escala da preocupação política e humana. Portanto, o que lhes resta? Realmente, quase nada. (Kátia F. Borges Castilho - estudante de medicina veterinária - RG 33.350.201)