09 de julho de 2026
Saúde

Vacina antigripal: vale a pena tomar essa picada?

Sabrina Magalhães
| Tempo de leitura: 2 min

O mês de abril tornou-se tradicionalmente o mês da vacinação contra a gripe no Brasil. E mesmo para aqueles que não precisam pagar pela dose, a dúvida é sempre a mesma: tomar ou não tomar a vacina? O fato é que, mesmo depois de dez anos sendo aplicada, as pessoas ainda não entendem direito para que serve essa vacina e quem deve realmente recebê-la. Pois é isso que o JC Saúde dessa semana vai abordar.

De acordo com o médico infectologista Marcelo Pesce Gomes da Costa, a primeira coisa que precisa ser esclarecida é o verdadeiro conceito de gripe. Boa parte das pessoas que se recusa a receber a vacina argumenta que teve ou conheceu alguém que teve gripe mesmo depois de ter sido vacinado.

“No Brasil, qualquer alteração nas vias aéreas (rinite, resfriado, dor de garganta) as pessoas logo chamam de gripe. Apesar de terem sintomas muito parecidos, são doenças diferentes. Nós não costumamos fazer o diagnóstico preciso, mas gripe é só aquela causada pelo vírus influenza”, explica o médico.

Estudos mostram que existem pelo menos 340 vírus diferentes que atacam o sistema respiratório do ser humano. A preocupação em combater especificamente o influenza é que esse agente é o mais agressivo para o organismo humano. Se o sistema imunológico da pessoa estiver debilitado, o germe pode trazer complicações graves, como a pneumonia, que pode matar.

Precaução

“O grande pavor mundial é de que tenhamos uma nova epidemia como a da gripe espanhola, que matou milhões de pessoas no século passado. Ela surgiu em 1918, logo depois da primeira guerra mundial, e matou muito mais que a guerra”, salienta o médico.

Ele lembra que hoje é muito fácil um vírus se espalhar. A importância da vacinação está justamente em impedir a disseminação de vírus agressivos, como o da síndrome respiratória (sars) que matou centenas de pessoas na China e ameaçou o mundo todo recentemente.

Por isso, a vacina antigripal é produzida a partir dos subtipos mais agressivos de influenza. “Existem centros de vigilância espalhados no mundo todo. Eles passam o ano recolhendo amostras do vírus na atmosfera para acompanhar o caminho deles no planeta. No final de cada ano, esses centros selecionam as cepas (amostras) mais agressivas para produzir a vacina”, descreve.

Ou seja, quem recebe a injeção torna-se imune apenas a esses subtipos mais freqüentes e agressivos. É por isso que, mesmo tendo sido vacinada, uma pessoa ainda pode ficar gripada. Mas serão episódios bem mais suaves.