10 de julho de 2026
Saúde

Vacinação das Américas prioriza saúde indígena

Por Sabrina Magalhães | Com Agência Saúde
| Tempo de leitura: 2 min

O governo brasileiro iniciou, na última terça-feira, a Semana de Vacinação das Américas. Trata-se de uma iniciativa anual da Organização Pan-Americana de Saúde (Opas), em parceria com vários países do continente, que tem como objetivo desencadear ações de imunização em áreas de difícil acesso. Nesse ano, a prioridade será dada às comunidades indígenas e, apesar do nome, a campanha será estendida até 30 de abril.

As edições anteriores da campanha mantiveram suas ações localizadas em áreas de fronteira entre os países parceiros. Desta vez, o projeto está sendo interiorizado pelo Brasil e deverá beneficiar 677 aldeias. A estimativa do Ministério da Saúde é imunizar aproximadamente de 6,7 mil crianças e 7,5 mil mulheres com o calendário básico de vacinas para índios.

O lançamento da campanha foi realizado na aldeia Mura de Trincheira, no município amazonense de Autazes. “A cidade foi escolhida como pontapé inicial simbólico da campanha porque é isolada e também porque possui um movimento indígena bem organizado”, explicou o ministro Humberto Costa durante a solenidade de abertura.

Durante todo o mês, cerca de 750 profissionais de saúde e agentes indígenas visitarão as aldeias selecionadas em 12 Estados brasileiros, imunizando indígenas contra 13 doenças: poliomielite, difteria, tétano, coqueluche, meningite por haemophilus, sarampo, rubéola, varicela, pneumonia, hepatite B, influenza (gripe), tuberculose e febre amarela.

Segundo o governo, a meta prioritária é vacinar crianças com até 5 anos, gestantes e mulheres em idade fértil (para prevenir doenças congênitas). A previsão é aplicar aproximadamente 30 mil doses de vacinas.

O Ministério da Saúde reforça que a decisão de priorizar a população indígena teve como critérios as baixas coberturas vacinais nas aldeias, a fragilidade das informações sobre imunizações nessas áreas e a freqüente mobilidade inter-fronteiras desses povos, o que aumenta muito o risco de disseminação de doenças entre países.

Trabalho permanente

Além das campanhas pontuais, a Fundação Nacional de Saúde (Funasa) tem investido na estruturação da saúde indígena como um todo. No Brasil, o atendimento às aldeias é feito por meio dos Distritos Sanitários Especiais Indígenas (Dseis), que têm ampliado progressivamente sua atuação.

Dez Dseis já mantêm, por exemplo, o trabalho de vigilância nutricional. Os hospitais próximos das reservas indígenas passam por um processo de qualificação, principalmente para melhorar o atendimento às crianças com desnutrição.

Outra medida adotada pela Funasa foi a indicação de índios, escolhidos pelas próprias comunidades, para se tornarem agentes indígenas de saúde. Eles são capacitados para levar a suas populações orientações como a manutenção dos sistemas de saneamento das aldeias e o uso adequado da água.

Segundo o governo, em 2004 foram efetuadas obras de abastecimento de água e melhorias sanitárias domiciliares em 411 aldeias, beneficiando 78 mil índios, com um investimento de R$ 22 milhões. Para esse ano, a meta é estender os serviços de saneamento para mais 447 aldeias. O custo estimado é de R$ 36 milhões.