09 de julho de 2026
JC Criança

Povos de Araribá se preparam para o Dia do Índio

Roberta Mathias
| Tempo de leitura: 4 min

Todo dia é dia de índio de negro, de branco, de amarelo, de azul, de mãe, de pai, de avó, de gente, de amigo, de professor, de médico, de bombeiro, de lixeiro, de ave, da água, dos bichos... Todo dia é dia de celebrar a vida! Mas como há sempre uma data específica para as populares “comemorações”, em 19 de abril, as comunidades indígenas também se preparam para o Dia do Índio. A nossa região possui uma área indígena onde vivem pessoas das etnias terena, guarani e caingangue. No dia 19, eles irão abrir as portas da aldeia para compartilhar com os não índios a sua cultura.

O JC Criança optou por abordar o assunto nesta edição, porque o próximo suplemento será produzido pelos repórteres mirins, durante a realização da 5.ª Feira do Livro Infantil, no Centro Cultural de Bauru, mas isso é outra história.

Espalhadas em reservas indígenas, muitas tribos lutam para preservar sua cultura, enquanto algumas buscam informações para resgatar suas crenças, arte e língua. Em 19 de abril, comemora-se o Dia do Índio, o primeiro habitante do Brasil, que hoje encontra dificuldades para sobreviver e manter-se unido. O Brasil já teve 5 milhões de índios. Hoje tem somente 270 mil. Mas essa história está mudando, com a união dos povos indígenas, a busca constante por novas formas de interagir com a cultura do não índio, porém, sempre priorizando a cultura de cada etnia. Eles começam a crescer e a contribuir para que o homem volte o seu olhar para a natureza.

Isso porque o contato com o meio ambiente, o respeito aos ciclos da terra, às plantas e aos animais sempre foi natural na cultura indígena. Para um índio, não é necessário dizer “não corte árvores”, “não polua os rios”, pois o equilíbrio entre o homem e a natureza, com os povos indígenas, é muito natural. Eles sabem a necessidade de preservar a vida, só caçam para a alimentação e só cortam o que precisam para construir suas habitações.

Na verdade, o não índio deveria aprender mais com os índios, principalmente a se relacionar com o meio ambiente. Talvez, o Dia do Índio seja um momento importante para o não índio parar e pensar em seus atos e observar o que pode fazer para modificar esse processo de destruição. Pensando sempre no “progresso”, o homem atropelou a natureza, poluiu rios e ares, derrubou árvores e, o pior, muitos, principalmente os que mais destroem, ainda não tomaram consciência disso. O planeta pede socorro e seus gritos ainda não foram ouvidos.

Araribá

Bem pertinho de Bauru (40 quilômetros a Noroeste), em Avaí, existe a Terra Indígena de Araribá, onde estão localizadas cinco aldeias Kopenoty, Nimuendaju, Pyhau, Ekeruá e Tereguá. Lá vivem índios das etnias terena, guarani e caingangue e todos lutam para preservar sua cultura. E isso não significa ficar isolado do mundo, mas saber interagir para também ensinar. E é isso que eles fazem em apresentações como as que irão ocorrer no Dia do Índio.

Quem explica é o chefe do Posto Indígena Kopenoty, Edenilson Sebastião: “Vamos fazer a festa no próprio dia 19, assim, as escolas que quiserem participar também podem comparecer.” Ele conta que haverá apresentações diversas, a abertura será às 9h com o Coral das Crianças Indígenas, que irão entoar cânticos no idioma terena, com a participação de professores.

Depois, a partir das 10h, os homens terena farão a dança do bate pau e depois as mulheres apresentarão a dança da chuva: “Só não podem caprichar muito para não chover”, brinca Sebastião. Na seqüência, os indígenas guarani apresentarão a Dança do Mandaraí e depois será a vez da Dança dos Caingangue.

“A festa é uma excelente oportunidade para os não índios terem contato com a nossa cultura, conhecer o artesanato indígena e nossas comidas típicas”, acrescenta Sebastião. Ele explica que haverá a comercialização do artesanato local e adianta que a aldeia se prepara para iniciar um projeto ambiental, com oficinas de argila, artesanato, construção de ocas, enfim, tudo o que envolve a cultura indígena. “Tivemos uma experiência muito interessante com o Sesc, que trouxe várias crianças para a aldeia e juntos fizemos o plantio de mais de 150 mudas de mata ciliar. Assim, queremos recuperar nosso rio”, comenta.

Edenilson Sebastião é presidente de uma organização não governamental chamada Instituto de Defesa do Meio Ambiente, criado em 1998, que tem a proposta de aliar os conhecimentos indígenas na preservação do meio ambiente. “Queremos recuperar a caça, a pesca, que estão se perdendo.” A reserva conta com o apoio de entidades governamentais e não governamentais, mas é preciso fortalecer multiplicar a informação, mantendo viva a cultura indígena e também levando informações sobre saúde, alimentação, educação. “Hoje temos que pensar que entre a comunidade existem casos de hipertensão, diabetes e outras doenças que não existiam quando as comunidades indígenas viviam isoladas”, exemplifica.

Quem quiser conhecer de perto a cultura dos povos indígenas da nossa região, de acordo com Sebastião, o convite já está aberto. “Vai ter sinalização para as pessoas se orientarem.”

• Serviço

Terra Indígena de Araribá

Vicinal Bauru-Marília, entrada pelo trevo de Avaí, depois seguir 7 Km, aonde encontra-se a entrada da aldeia. Depois é só seguir mais 3 Km e encontrar o Posto Indígena Kopenoti, onde será a festa. Dia 19 de abril, terça-feira, às 9h. Telefone (14) 9602-7703.