09 de julho de 2026
Polícia

Empresários de Bauru querem implantar chip anti-seqüestro

Gilmar Dias
| Tempo de leitura: 2 min

Onze famílias ligadas ao setor empresarial de Bauru estão na fila para receberem a mais nova arma anti-seqüestro disponível no mercado. Ao custo de US$ 10 mil a unidade (cerca de R$ 27 mil), o equipamento é um microchip do tamanho de um grão de arroz que será hospedado na pele através de uma pistola de pressão. Monitorado via satélite, o hospedeiro é localizado em qualquer lugar do mundo.

Além de Bauru, a empresa fornecedora do serviço, sediada em São Paulo, já tem encomendas de empresários e seus familiares residentes nas cidades da região, dentre as quais Marília, Lins, São Manuel, Botucatu e Avaré. Juntas, elas representam pedidos de 29 famílias.

Em todo o País, segundo o proprietário da empresa, Ricardo Chilelli, há mais de 2 mil empresários à espera do microchip. Até o momento, apenas 42 famílias paulistas foram privilegiadas com o equipamento. É um seleto grupo formado por banqueiros, empreiteiros, empresários e executivos de multinacionais.

Eles foram beneficiados porque têm ligações comerciais com os Estados Unidos, país onde a instalação do microchip cutâneo já foi liberada pelos órgãos governamentais de saúde. É lá que está também a base de rastreamento. No Brasil, a empresa e seus virtuais clientes aguardam o sinal verde da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Chip invasivo

Segundo Chilelli, o chip subcutâneo ainda é experimental. “Não há regulamentação no Brasil porque o chip é invasivo. Está sendo usado no País apenas em animais. A Anvisa ainda estuda a aprovação do chip para arquivar dados médicos”, explica.

Ele esclarece que os brasileiros que são hospedeiros do chip receberam o minúsculo equipamento no exterior. “Esse pessoal tem a filial de suas empresas no exterior. Também tem propriedades. Lá fora tem legislação. Aqui no Brasil ainda não”.

O consultor de segurança pessoal conta que o microchip cutâneo é apenas um componente a mais na gestão de risco. “Em algumas pessoas que passaram pela análise de risco, achamos por bem colocar. Mas não necessariamente por questões de dinheiro”, garante.

Chilelli informa que no seu quadro de clientes há líderes religiosos, esportistas radicais (que podem se perder no mato, em florestas e desertos) e até mesmo pessoas com esclerose que freqüentemente se perdem ou fogem de casa.

“Em Marília tenho um caso interessante. Um senhor me ligou e fez o pedido para o pai, já de idade e vítima do Mal de Alzheimer. Usualmente, o pai tira a roupa e vai para a rua. E depois é um problema sério para localizá-lo”, relata.

Outro segmento que está interessado na mais nova arma anti-sequestro é o esportivo. Nos últimos meses, várias mães de jogadores de futebol foram seqüestradas. “Recebi muitas ligações de jogadores famosos, inclusive da Seleção Brasileira, interessados no microchip. A Federação Paulista de Futebol também me procurou”, revela.

Depois de São Paulo e os municípios de seu entorno, Campinas é a cidade que mais tem solicitações do aparelho. São 215 famílias à espera da liberação da Anvisa para poder usar o microchip.