08 de julho de 2026
Politicando

Promessas e votos


| Tempo de leitura: 1 min

Há cerca de 20 anos, quando eu ainda acreditava que fosse possível o exercício honesto, correto sincero e transparente da política partidária, um forte partido político propôs a minha candidatura a vereadora e eu aceitei.

Cheguei a fazer um panfleto conclamando as mulheres, apresentando propostas honestas e viáveis, dentro do âmbito de ação de um simples vereador e logo fui criticada por político mais velho e mais experiente dizendo que eu apresentava poucas promessas, que era preciso prometer mais do que aquilo que eu prometia, mesmo diante da minha afirmação de que vereador não podia fazer mais, ao que ele retrucou: “Não importa que não possa fazer, prometa que logo esquecem”.

Também por esse mesmo político esperto fui instada a procurar um rico e importante empresário a fim de pedir ajuda a ele, para conseguir fazer uma campanha mais ativa, com viaturas, para percorrer vilas e bairros distantes, apresentando comícios em palanques, contratando artistas para shows que agradassem a população e prometesse ajudar os mais carentes, em discursos que renderiam muitos votos, quanto mais eu prometesse.

Não concordei em prometer o que não pudesse cumprir nem fui procurar empresário poderoso para implorar ajuda. Não fui eleita e os poucos mais de 200 votos que recebi, tenho certeza que foram de amigos, de leitores dos artigos que escrevo no jornal e talvez mesmo de leitores dos meus livros e também, provavelmente, de ex-alunos, embora eles não costumem gostar muito de professores de português, por estarem sempre a corrigi-los... (relatado e vivido por Isolina Bresolin Vianna)