08 de julho de 2026
Articulistas

Matar a sede do social


| Tempo de leitura: 2 min

Quando dizemos que o Brasil é um país abençoado por Deus, a afirmação vai além dos conceitos religiosos ou de metáforas a respeito de nossa paisagem e beleza natural. Num mundo onde a escassez de recursos naturais é notória e cada vez mais crescente, ser detentor de 11,6% de toda água doce do planeta é realmente uma benção.

Enquanto comemorávamos, no último dia 22 de março, o “Dia Mundial da Água”, me passou pela mente o quanto incluímos as questões ambientais nas ações de responsabilidade social das empresas.

Ao assistir uma palestra proferida por uma empresária pecuarista, num evento promovido pela entidade que presido, o que mais me chamou a atenção foi quando ela declarou que seu negócio utiliza constantemente das ferramentas do marketing e da responsabilidade social. Com o marketing ela encontrou o caminho para a divulgação correta de seu produto e serviço. Já com a responsabilidade social procurou atender as exigências do mercado externo.

Não basta fazer por fazer. Ou melhor, não adianta realizar algumas ações filantrópicas para a empresa ser lembrada. E a globalização é uma das grandes responsáveis por isso, já que as informações são imediatas e em grande volume. Mesmo que as pessoas não saibam o que quer dizer realmente “responsabilidade social”, elas têm o conhecimento de que uma empresa coerente hoje é aquela que se preocupa com a sociedade como um todo e não só com seu lucro.

Claro, que dentro desse aspecto existem exceções. Outra parte interessante da apresentação da pecuarista foi quando contou a dificuldade em incluir as ações sociais no dia-a-dia dos seus colaboradores. Reciclar e evitar o desperdício, por exemplo. A abundância é com certeza a vilã desse pensamento. Isso mesmo, a abundância. Difícil para alguém nascido e crescido no campo acreditar que precisamos usar os recursos naturais com mais propriedade para evitar sua escassez, quando esse mesmo profissional tem à sua frente hectares e mais hectares de verde, além de água potável disponível a qualquer momento, quer seja dos rios ou de poços artesianos.

E é assim que o Brasil ainda funciona. Para quem não tem um cenário desesperador, como no caso da água potável, fica difícil entender que é preciso preservar para evitar que essa carência se instale e permaneça. A responsabilidade social já é uma realidade nas grandes corporações, mas ainda caminha para um processo de assimilação entre as pequenas e médias empresas. A divulgação precisa ser cada vez mais intensa, pois é só por meio dela que todos entenderão o quanto é importante lutar pela manutenção do nosso planeta e da integridade de seus habitantes. Hoje e amanhã. (O autor, José Zetune, é presidente da Direção da Associação dos Dirigentes de Vendas e Marketing)