09 de julho de 2026
Polícia

'Não sei se paro para ajudar de novo'

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 2 min

Visivelmente machucado e amargando prejuízo do carro destruído por seus agressores, Thieser Juliano Manso Collis, 19 anos, desde domingo passou a conviver com uma dúvida que antes não tinha: a de parar novamente para prestar socorro. Ele foi agredido por cerca de 30 pessoas ao tentar auxiliar o menino de 3 anos, que atropelou quando ela teria saltado de um outro veículo estacionado no mesmo local.

“Não sei se paro para ajudar de novo. Nunca imaginei isso. Mas não achei que iria morrer”, conta. No entanto, de acordo com o Centro de Operações da Polícia Militar (Copom), populares fizeram seis ligações para informar a polícia sobre a iminente morte do rapaz.

“Ele ficou chocado, até achou que a criança tivesse morrido. No nosso País, tem muita gente ignorante, que não vê o outro lado. Só existe discurso contra violência”, afirma Telma Aparecida Manso Collis, mãe de Thieser e de Melânia, que estava com o irmão no momento da ocorrência e também foi levemente agredida. De acordo com a família, os acompanhantes da criança foram os primeiros a partir para a violência.

“Foi desespero. Mas depois vieram outros”, acrescenta Thieser, cuja família tentou levantar informações com moradores das imediações, mas não obteve sucesso. A reportagem também sondou as famílias que vivem nas proximidades, mas todos os consultados disseram não ter presenciado a ocorrência.

Apenas um comerciante das imediações confirmou ao JC a versão comentada no bairro e registrada pela polícia. “O moço teve de deixar o local para não ser linchado. Investiram contra o veículo dele (que teve os vidros e o painel quebrados, além da lataria amassada). A criança teria desembarcado correndo do carro em que estava (passando pela frente do veículo de Thieser)”, conta, desde que o nome dele seja preservado.

As circunstâncias do acidente serão investigadas em inquérito, desde que os representantes legais da criança representem o acusado pelo atropelamento (ferido levemente), informa o delegado do 4.º Distrito Policial, Dinair José da Silva. O JC não conseguiu localizar a família do menino, cujo estado de saúde não foi informado pelo hospital. Por essa razão, o nome deles foi preservado para evitar constrangimentos ao menor.