08 de julho de 2026
Regional

Funcionários de pedágio ameaçam parar

Rose Araujo
| Tempo de leitura: 2 min

Cerca de 65 funcionários de duas praças de pedágio localizadas na rodovia Marechal Rondon (SP-300) ameaçam entrar em greve e liberar a passagem dos veículos sem cobrança da taxa amanhã. Eles estão com o salário de março atrasado e dizem que a empresa para a qual trabalham - a Officio - não tem previsão para realizar o pagamento. “Está difícil até conseguir contato com eles (empresa), pois os telefones estão cortados”, afirma um funcionário, que preferiu não se identificar.

Os trabalhadores operam as praças de Areiópolis (65 quilômetros a sudeste de Bauru) e Avaí (39 quilômetros a noroeste de Bauru). Segundo eles, essa é a terceira vez, desde novembro do ano passado, que os proventos são pagos com atraso. “Eles pagam, mas demoram para liberar o nosso dinheiro. No mês passado, por exemplo, o pagamento saiu dia 11, quando o certo seria no quinto dia útil”, destaca outro funcionário.

Agora, o que mais os deixam preocupados é a falta de informações sobre a data do pagamento. “Ninguém nos dá um posicionamento e nós ficamos sem saber o que fazer”, diz um funcionário. As praças de pedágio estão localizadas em trechos da estrada administrados pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER), que terceiriza a operação à Officio mediante licitação.

Essa empresa é a mesma que fornece mão-de-obra para o Instituto Lauro de Souza Lima, para a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos e para o Banco do Brasil, todos de Bauru.

No mês passado, os vigilantes contratados por ela para prestar serviços no Instituto chegaram a paralisar o trabalho por um dia devido ao atraso no pagamento dos salários. Como a situação foi regularizada, eles suspenderam a greve.

Sem cesta básica

Além do atraso nos proventos, os funcionários reclamam que estão sem receber duas cestas básicas - a do mês passado e a deste mês, entregues normalmente junto com o pagamento.

“A situação está complicada. A gente tem família para sustentar e fica complicado desse jeito”, destaca um funcionário. Ele diz que está se virando como pode para pagar suas contas. “O jeito é fazer empréstimo e se virar para quitar depois”, comenta o mesmo trabalhador.

Outro funcionário da empresa diz que já viu alguns colegas chorando por falta de dinheiro. “As pessoas fazem dívidas contando com o salário. Quando deixam de receber, fica complicado e elas se desesperam”, salienta.

A reportagem tentou entrar em contato ontem à tarde com a empresa, mas ninguém atendeu o telefone. A assessoria de imprensa do DER diz que desconhece qualquer indício de greve e que o problema deve ser resolvido entre funcionários e empregados, já que o órgão terceiriza o serviço.

De acordo com dados levantados pela reportagem, na praça de Areiópolis passam diariamente cerca de 4 mil veículos. Já na de Avaí, a média é de 2 mil veículos por dia.