09 de julho de 2026
Polícia

Pai tem prisão temporária decretada

Michelle Roxo
| Tempo de leitura: 5 min

O juiz Davi Márcio Prado Silva, da Vara das Execuções Criminais, decretou no final da tarde de ontem a prisão temporária por 30 dias do eletricista acusado de atirar na filha de 12 anos. Além da tentativa de homicídio, ele é acusado de atentado violento ao pudor. Até o fechamento desta edição, ele não havia sido encontrado pela polícia e era considerado foragido. A prisão temporária do acusado foi pedida pela Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que encaminha as investigações sobre o caso.

A bala atingiu o joelho da menina. Até ontem à tarde, ela permanecia internada no Hospital de Base em estado regular, com a bala ainda alojada no corpo. O local do crime e o nome dos integrantes da família estão sendo preservados para evitar a identificação da vítima, conforme prevê o Estatuto da Criança e do Adolescente.

O crime ocorreu no final da noite de anteontem na casa da própria família. De acordo com a titular da DDM, Rejani Borro Tiritan, no período da tarde o pai teria abusado sexualmente da menina, acariciando o corpo e a região dos órgãos genitais da vítima. Ela teria sido surpreendida no momento em que estava no tanque lavando um par de sapatos.

Com um empurrão, a criança teria conseguido se desvencilhar do pai, que supostamente estaria embriagado. O eletricista, de 44 anos, teria saído de casa logo em seguida.

No momento do abuso sexual, a mãe da vítima afirma que não estava na residência.

No período da noite, o acusado retornou para a casa. Aparentemente ainda mais embriagado, ele teria iniciado uma discussão com a filha, questionando o porquê dela ter saído de casa. A menina, segundo a mãe, teria se ausentado da residência por alguns minutos no final da tarde.

Durante a discussão, o pai teria agredido verbalmente a filha. “Ele falou para ela: ‘eu vou te matar’”, conta a mãe da vítima.

A menina estava sentada na cama do único quarto da residência junto com a mãe e outros dois irmãos, quando o pai teria retirado um revólver debaixo do armário e mirado contra a vítima. Na primeira tentativa de disparo, a arma falhou. Logo em seguida, o acusado efetuou outro disparo, que atingiu o joelho direito da criança.

A mãe da vítima correu para a rua pedindo socorro e foi até a casa de um vizinho, que acionou a polícia.

O acusado fugiu do local do crime. Um revólver calibre 38 foi apreendido ontem pela DDM nas imediações.

Até o final da tarde de ontem, Tiritan não sabia informar para onde a família seria encaminhada. O município não conta com um abrigo para acolher famílias em situações de risco.

A pena para atentado violento ao pudor varia de 6 a 10 anos de prisão. O homicídio tem pena prevista de 6 a 20 anos de prisão, com redução da pena de um a dois terços em caso de tentativa.

Um mês

A dona de casa e as três crianças estavam morando com o acusado há cerca de um mês. Segundo a mulher, nesse período a menina de 12 anos já teria sido assediada pelo pai em outras ocasiões.

“Ele vinha falando que queria manter relação sexual com ela, que ela teria que ser mulher dele. O acusado tem acariciado a criança faz tempo”, diz a delegada.

A dona de casa afirma que não denunciou o ex-marido por medo. “Eu fiquei com medo por causa das crianças. Se me calei foi por causa das crianças. Nós não tínhamos para onde ir”, justifica. “Mas eu nunca imaginei que ele chegaria a fazer isso com a minha filha (tentar matá-la)”, completa.

A dona de casa diz que estava morando temporariamente na casa do eletricista. Apenas a menina de 12 anos é filha do acusado. As outras duas crianças, de 2 e 7 anos, são fruto de outro relacionamento da dona de casa.

Ela teria sido casada com o acusado durante sete anos, mas se separou em meados da década de 90, quando a vítima tinha cerca de dois anos.

Em seguida, iniciou um novo relacionamento e teve outros três filhos. Nesse período, a mulher afirma que a vítima teve apenas contato esporádico com o pai.

Recentemente, com o fim do segundo casamento, a dona de casa afirma que não tinha para onde ir e procurou o eletricista, pedindo abrigo por alguns tempos. Ela foi para a casa do acusado com as três crianças. Na casa do eletricista, todos dormiam no mesmo cômodo.

A mulher é mãe de outra criança de 8 anos, do segundo casamento, que vive hoje com a família do ex-marido. Nos dois relacionamentos, a dona de casa afirma que foi vítima de violência doméstica.

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Casos de violência

Neste ano foram registrados 114 casos de violência doméstica contra crianças no Centro Regional de Registro e Atenção aos Maus-Tratos à Infância (Crami) de Bauru, incluindo negligência, violência física, psicológica e sexual. A maior parte das notificações envolve violência física. Um caso de abuso sexual havia sido notificado ao Crami até ontem, segundo a coordenadora do órgão Ecléa Correia de Lacerda Silva.

Entretanto, ela acredita que o número de ocorrências seja muito maior. Isso porque muitas das vítimas não denunciam os abusos e maus-tratos.

“Quando a violência sexual acontece no ambiente familiar, geralmente é a palavra da vítima contra a do agressor. E esse agressor se utiliza também da violência psicológica e das ameaças, fazendo com que exista entre ele e a criança o complô do silêncio”, diz.