Bateria, guitarra e baixo substituem o contrabaixo e a voz da cubana Yusa e a percussão do produtor e arranjador argentino Ramiro Mussoto, no show que o compositor Lenine faz hoje, no ginásio do Serviço Social do Comércio (Sesc). Ele apresenta, com nova roupagem, seu último trabalho, “Lenine In Cité”.
O DVD foi gravado ao vivo em Paris, na casa de espetáculos Cité de La Musique. Além de exibir o melhor de seus cinco primeiros discos, ele lançou canções inéditas e inovou no formato - gravou de violão em punho, acompanhado por baixo e percussão.
O resultado ele está colhendo agora, com agenda lotada (a turnê deve durar pelo menos mais um ano), homenagens e ótimas críticas.
O repertório do show de hoje é baseado no DVD, com exceção de poucas canções. Sobem ao palco com Lenine os músicos Pantico Rocha (bateria), Júnior Tostói (guitarra) e Guila (baixo). “Na verdade, o que aconteceu foi uma transposição desse repertório. No DVD, é percussão e baixo e eu transpus isso para o universo da minha estrada”, explica o compositor, em entrevista por telefone ao JC Cultura.
Ele garante que, adaptadas, as músicas ganharam “novos sabores e novo colorido”. “O disco é só um estímulo para fazer um show harmônico. Nessa hora, sempre ganham as canções. Quem for assistir, vai ver que as letras e as melodias estão lá, mas a roupagem dá outro peso às palavras. É como se fossem três cliques da mesma canção - a composição, que é um momento solitário, no máximo a quatro mãos, o estúdio e os shows”, explica Lenine, que aproveita para reafirmar seu trabalho como compositor.
“É bem separado. O início de tudo é a composição. Antes de qualquer coisa, eu sou um compositor. E foi a reboque desse trabalho que eu passei a interpretar as canções”, frisa.
A noite de hoje tem, ainda, uma grande novidade. Lenine cantará pela primeira vez a música “Sob o Mesmo Céu”, canção-tema do Ano no Brasil na França, que foi composta a pedido do Ministério da Cultura.
A França, aliás, continua sendo bastante receptiva ao trabalho do pernambucano, que sempre lançou seus discos solo no mercado francês. Em junho, ele será homenageado em Paris com um espetáculo em que a Orquestra Sinfônica Francesa e um coral com 1.300 jovens da periferia da cidade cantarão a obra dele com arranjos franceses e brasileiros. “É um projeto belíssimo que me deixou muito honrado”, expõe.
Lenine avalia com naturalidade essa nova fase de sua carreira. “É natural que a cada novo lançamento isso se amplie. Estou vivendo isso, o fruto desse trabalho, dessa continuidade, e da confirmação que se dá a partir do meu trabalho como compositor. É muito bacana perceber que as pessoas se identificam com ele”, revela.
Paralelamente aos shows, ele continua compondo (para ele e para outros artistas). E antecipa que seus próximos trabalhos provavelmente serão feitos em parceria - uma marca da trajetória de Lenine. “A parceria para mim é uma ferramenta de aproximação estética, de visão. Continuo com essa certeza de que fazer junto é melhor do que fazer sozinho e adoro parcerias”, conclui.
• Serviço
Show de Lenine, hoje, às 21h, no ginásio do Sesc. Hoje, os ingressos custam R$ 30,00 e R$ 15,00 (matriculados, estudantes e maiores de 60 anos). O endereço é avenida Aureliano Cardia, 6-71. Outras informações podem ser obtidas pelo telefone (14) 3235-1750.
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Trajetória
Natural de Recife, capital pernambucana, Lenine mudou-se para o Rio de Janeiro aos 18 anos. Seu primeiro CD, “Baque Solto” (1983), foi lançado ainda no começo de sua carreira, em parceria com Lula Queiroga.
O segundo, “Olho de Peixe” (1993), veio dez anos depois. Desta vez, a parceria foi feita com o percussionista Marcos Suzano. A carreira solo começou a partir de “O Dia em que Faremos Contato”, (1997).
O seguinte, “Na Pressão” (1999), esconde uma história curiosa. O álbum estava quase pronto quando Lenine percebeu que as músicas, compostas por ele e parceiros tinham mais de cinco anos. Decidiu então começar do zero e compor especialmente para o CD, no pouco tempo que lhe restava. Por isso, o disco foi feito literalmente “na pressão”. Contou com participações de Siba, Marcos Suzano e Pedro Luís e a Parede.
O terceiro CD solo, “Falange Canibal” (2002), incluiu participações nacionais e internacionais e lhe rendeu o Grammy Latino 2002, nas categorias melhor álbum pop contemporâneo e produção (Tom Capone, Mauro Manzoli e Lenine).
Agora, o compositor está em fase de divulgação de seu último trabalho, “Lenine In Cité” (2004), gravado ao vivo em Paris.