08 de julho de 2026
Turismo

Cenários paradisíacos

Eliane Barbosa
| Tempo de leitura: 4 min

Tieta, personagem da obra de Jorge Amado deve estar se remoendo de ter entregue o ouro. Afinal, Mangue Seco foi descoberto pelos turistas.

O lugar é lindo, bucólico, com coqueirais se debruçando sobre o mar, a igrejinha branca de portas e janelas azuis, dunas para quem tem pernas e energia para subir ao topo e rolar lá de cima e um clima que deixa todo mundo na maior leseira.

Para chegar a Mangue Seco o melhor caminho é por Aracaju, cruzando-se rio e depois uma pequena faixa de mar através da Escuna Gazzela. O passeio é saboroso em duplo sentido: pelo contato com a paisagem da Bahia e Sergipe, pela comida típica servida a bordo - incluindo, claro, patinhas de caranguejo -, o contato com o povo hospitaleiro do menor Estado brasileiro e toda aquela natureza preservada em volta.

Mangue Seco é a última praia em território baiano, que serviu de cenário para Tieta do Agreste, uma das mais conhecidas obras de Jorge Amado (1912-2001), obra adaptada para o cinema - protagonizada por Sônia Braga - e para a TV, a cargo de Betty Faria.

Para contratar o passeio, de um dia, basta ligar para a Escuna Gazzela (79m - 9982-8880) ou acessar o site www. escunagazzela.hpg. com.br).

O tour que envolve cenários paradisíacos começa pela manhã na travessia de balsa pelo rio Vaza-Barris. Percorre-se em seguida uns 40 quilômetros pela rodovia Ayrton Senna, passando-se pelos municípios litorâneos de Itaporanga da Ajuda, Estância e Porto Cavalo. A partir daí, segue-se de escuna.

A Gazzela, branca e aconchegante, pertence a Paulinho Siqueira, um cara porreta que oferece aos visitantes quitutes imperdíveis que tornam o trajeto ainda mais gostoso: patinha de caranguejo, maniçoba, caldo de sururu - cuidado com excessos para evitar revertérios - e torta com aratu, um crustáceo avermelhado.

Banhos à vista

Comendo e bebendo, chega-se sem o menor estresse ao primeiro ponto de apoio do passeio: a Ilha da Sogra. Um lugar com todos os adjetivos, especial para um banho refrescante, seja em águas doces ou salgadas, já que é margeada tanto pelo rio quanto pelo mar: de um lado o oceano, de outro o rio Real.

A parada ocorre sempre na ida a Mangue Seco, pois na volta a maré, sobe encobrindo seus encantos.

Todos novamente a bordo e a escuna segue até o encontro entre os rios Piauitinga e Real, exatamente onde fica Mangue Seco. Pés no chão e máquinas fotográficas em punho para fotografar todas as suas belezas.

Há construções antigas, emolduradas pelos coqueirais, pousadas, restaurantes e dunas de areia branca como talco e buggys para se desbravar todos os seus encantos.

Com ou sem emoção, entende-se perfeitamente porque Tieta do Agreste foi tão feliz naquele lugar, para lá retornando mesmo depois de fazer fama e dinheiro em “Sun Paulo”.

Assim como ocorre em Pirambu, em Mangue Seco as dunas também impressionam. As mais altas chegam a 30 metros. Nelas, segundo Amado, Tieta rolava com seus amores e cuidava das cabras da família, em bés e bés constantes, para desespero da irmã Perpétua.

Além das dunas, das casinhas e oficinas de artesãos, o vilarejo cinematográfico oferece praias de ondas mornas e espumantes, por conta do bate-bate constante com os coqueiros, provando por que serviu de fonte de inspiração para tantos artistas, como o velho Jorge.

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Tranqüilidade e água fresca

Aracaju não tem a menor pretensão de ter as praias mais lindas do Nordeste. Também não precisa com tantos encantos para o norte e o sul.

Mesmo assim, é detentora da orla mais bem cuidada e bonita do País: a de Atalaia, recém-modelada e de total tranqüilidade.

Por todo o calçadão há centenas de coqueiros, quiosques, restaurantes e um caprichado paisagismo.

As praias de Aruana e Robalo, principalmente nos finais de semana, ficam cheias de gente em busca de água de coco gelada e baratinha, cerveja e petiscos famosos, como os caranguejos encontrados em abundância nos manguezais da região.

Nos bares e restaurantes servem-se também caldinhos à base de frutos do mar, a moqueca de caranguejo e a mariscada.

A culinária regional é deliciosa e simples, com receitas à base de mandioca ou macaxeira, como a raiz é chamada no Nordeste. Assim como ocorre com o nosso escondidinho, lá, esses pratos geralmente são recheados com carne-de-sol e queijo.

Imperdíveis, se foram acompanhados dos sucos de frutas típicas da região: caju, claro, tamarindo, pitomba...

Aracaju é uma cidade fácil de se andar e de se amar. Não se atreva a voltar de lá sem trazer lembrancinhas para a família e os amigos. O Centro de Turismo e Artesanato e o Mercado Municipal oferecem centenas de opções, incluindo as famosas bonecas de barro, elemento decorativo que agrada muitos aos paulistas.

O Centro do Turismo fica na Praça da Catedral, num casarão erguido em 1910 com 28 lojinhas de bordados, camisetas e objetos decorativos.

Há lembrancinhas a partir de R$ 1,00, creia! Funciona diariamente das 9h às 19h.

O Mercado Municipal oferece outras centenas de opções. Ali encontram-se mantas com tecido de rede, objetos de palha e luminárias.

Além da irresistível farinha de tapioca, massa para beijo e puba - tipo de farinha para bolo e mingau. O Mercado Municipal fica aberto de segunda a sábado, das 6h às 17h; domingo, até 13 h.