08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Você possui um dom?


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A competência e a facilidade que algumas pessoas apresentam em determinadas áreas do conhecimento estão relacionadas ao “dom”, às oportunidades ou apenas ao fato de sermos produto do meio em que vivemos? O que realmente significa dizer que alguém possui “o dom” para isto ou aquilo?

Pensemos em alguns exemplos: Abraham Lincoln nasceu de uma família pobre e caminhava quilômetros para tomar emprestado livros e jornais velhos com os quais construiu a base de seu conhecimento. Tornou-se o mais importante dos presidentes dos EUA. Acabou com a guerra da secessão e aboliu a escravatura.

Mozart, aos 10 anos, já compunha sinfonias perfeitas, e, apesar de sua morte prematura (aos 35 anos), sua obra oferece grande fascínio sobre públicos de todos os tempos.

Patativa do Assaré, poeta nordestino, semi-analfabeto, compunha versos em que narrava a história do mundo e também do flagelo dos nordestinos, tudo de forma oral, tendo na memória todos os seus versos. De onde vem este conhecimento e a facilidade com que se exprimem, cada qual em sua área?

Podemos enveredar nossas hipóteses pelas teses defendidas por Goleman, Gardner e também por Celso Antunes. Todos discorrem a respeito das “múltiplas inteligências”, as quais seriam a subdivisão do cérebro em áreas específicas responsáveis por conhecimentos definidos como: musical, interpessoal, intrapessoal, sinestésica-corporal, lógico-matemática, lingüística-verbal e pictórica. Esta seria uma justificativa para o fato de pessoas terem uma maior facilidade para esta ou aquela função ou área do conhecimento. Mozart teria, então, superdesenvolvida a sua inteligência musical. Isto significa que teria mais facilidade em aprender música. Mas, mesmo com esta facilidade, como, aos 10 anos, teria podido aprender tanto? No outono de 1783, Mozart escreveu uma sinfonia completa em apenas quatro dias!

Se isto é um dom, de onde ele vem? Se todos nascemos iguais, por que somos tão diferentes? Produto do meio? E, em nossa morte, o que será feito com todo este conhecimento? Sócrates, o homem mais sábio de seu tempo disse: Tudo que sei é que nada sei!

Professor José Reginaldo Furtado - RG 14.808.646