Olhos e ouvidos atentos às explicações sobre o preparo da terra para o plantio. A dona de casa Maria Antônia de Souza Cândido, 52 anos, pretende cultivar verduras e legumes no quintal da própria casa no Parque Jaraguá, e é uma das 11 participantes de um curso de formação de hortas caseiras direcionado a famílias carentes do bairro.
O curso, realizado entre ontem e hoje na Casa do Leite, tem a proposta de incentivar as famílias a aproveitarem áreas ociosas das próprias residências ou de espaços comunitários para a realização do plantio.
“O objetivo é melhorar a qualidade de vida e de alimentação dessa população carente. Isso também pode servir como uma atividade terapêutica ou até como fonte de renda, a partir da comercialização do excedente de sua produção”, diz o engenheiro agrônomo Sérgio Mitsuo Ishicava.
A iniciativa faz parte do projeto Agricultura Urbana, da Secretaria Municipal da Agricultura e Abastecimento (Sagra). Segundo Ishicava, que é diretor do departamento de agricultura, o mesmo curso foi oferecido no mês passado no Recinto Mello Moraes e deve abrir novas turmas para maio.
O curso ensina noções básicas para formação das hortas caseiras. Ontem, os participantes receberam orientações de como preparar o solo, a partir de um composto agrícola preparado com restos de verduras, cascas de ovos, frutas e legumes.
“Isso serve de adubo. Tem coisas que a gente desperdiça, joga no lixo, mas pode ser aproveitada”, diz Maria Antônia, que aparentemente aprendeu bem a lição.
A dona de casa também levou o filho de 13 anos para acompanhar as explicações. Ela acredita que o plantio vai ajudar a diminuir as despesas com alimentação e trará reflexos no aproveitamento da renda familiar.
“Eu não vou precisar comprar, eu vou colher no meu próprio quintal para a família comer”, observa.
Esta é a mesma idéia de Vanderléia Aparecida de Brito, 38 anos, que participou pela primeira vez de um curso com essa temática. “Com a horta, eu pretendo economizar e usar o dinheiro para comprar outras coisas”, diz a dona de casa, que tem quatro filhos e renda familiar de R$ 150,00.
A dona de casa Sônia Gouveia da Silva, 36 anos, também faz planos de desenvolver uma horta no quintal, mas antes quer enfrentar aquele que considera o grande inimigo de seu projeto: os caramujos africanos.
“Com esses caramujos infestando o meu quintal, não dá para fazer nada. Plantei um pé de arruda e babosa e eles comeram tudo”, destaca.
Na segunda parte do curso, hoje, o agrônomo passará orientações de como controlar algumas pragas e doenças que atingem as plantações. Ele adianta, entretanto, que no caso específico dos caramujos africanos a alternativa é fazer a recolha manual dos moluscos, com os devidos cuidados de proteção das mãos, como a utilização de luvas. “Já para os caramujos pequenos e lesmas, existem receitas caseiras”, diz.
A aula de hoje também dará dicas sobre as sementes que podem ser cultivadas em pequenas hortas, em que época e de que forma devem ser plantadas. “Cultivos como o almeirão, alface, couve e cebolinha são simples”, diz o engenheiro agrônomo.
A Organização Não-Governamental (ONG) “Moradia e Cidadania”, mantida por funcionários da Caixa Econômica Federal, está apoiando o projeto com a doação de um kit com sementes de hortaliças para as famílias darem início à formação das hortas caseiras.
Baixa renda
De acordo com a assistente social Débora Cristina Carneiro, as mulheres que estão participando do curso no Jaraguá fazem parte de famílias carentes, com renda inferior a meio salário mínimo.
“A intenção do curso é justamente melhorar a qualidade alimentar dessas famílias, uma vez que nós vemos um quadro muito grande de crianças anêmicas, desnutridas. São famílias que por conta dessa baixa renda familiar acabam se alimentando muito mal”, diz.
• Serviço
Outras comunidades que tenham interesse em ser atendidas pelo projeto Agricultura Urbana podem obter mais informações pelo telefone (14) 3236-6219.