Um empresário de Bauru levou um grande susto ontem de manhã quando percebeu que os R$ 8 mil da sua conta bancária tinham desaparecido. Ele foi vítima de um “furto virtual”, já que tudo indica que a subtração do dinheiro teria sido possível a partir da clonagem da senha utilizada por ele nas movimentações financeiras efetuadas via Internet.
Segundo conta o empresário, que pediu para ter seu nome preservado para evitar constrangimento, o banco do qual é cliente informou que foi paga uma duplicata fria (falsa) no valor de R$ 8 mil em títulos no nome da empresa da vítima. Com isso, o suposto golpista conseguiu ficar com todo o dinheiro da conta.
“Em meu escritório, eu utilizo com freqüência o site do banco para pagar contas, duplicatas, impostos, entre outras operações. O banco vai fazer toda a investigação, mas eu acredito que a minha senha tenha sido decodificada na própria Internet. Nós (do escritório) nunca ficamos devendo pagamento de títulos a ninguém”, conta o empresário, inconformado.
De acordo com ele, o banco pediu um prazo de três a quatro dias para realizar os procedimentos administrativos necessários nesse tipo de situação, mas teria se comprometido a ressarcir seu cliente. “Eles me disseram que no máximo em dez dias o dinheiro estará de volta na minha conta.”
O titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG), J.J. Cardia, diz que nunca tinha ouvido falar de um golpe desse tipo, em que a partir da senha de acesso à Internet foi possível forjar o pagamento de uma duplicata falsa. “São poucos os casos de golpe pela Internet que temos notícia, mas quando ocorrem, a pessoa já faz a transferência direto da conta da vítima para a sua”.
A principal orientação do delegado para empresários é que contratem prestadores de serviços especializados em sistemas de segurança na Internet, para que possam fazer as movimentações financeiras da empresa com tranqüilidade.
O advogado Gerson Moraes diz que, nesses casos, o ônus é do banco. “O banco tem que adotar medidas que coibam esse tipo de problema. Pelo menos até o momento, o entendimento tem sido de que o banco tem que ressarcir o cliente lesado, se ele realmente for uma vítima, paralelamente às investigações que são feitas para apurar o que ocorreu.”
De todos os bancos questionados pela reportagem sobre quais os procedimentos de segurança adotados para proteger os clientes, somente Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal (CEF) e Itaú deram resposta. Todos afirmam fazer investimentos constantes para aumentar a segurança na Internet e coibir crimes virtuais.
No Itaú, a informação é de que, de modo isolado, ocorrem casos de clientes que recebem e-mails convidando para acessar sites com características semelhantes ao da instituição. São sites falsos.
“As equipes técnicas do banco acompanham estas ocorrências e tomam as providências cabíveis (técnicas, jurídicas e policiais) para defender seus interesses e os interesses dos clientes”, diz a assessoria de imprensa.
A CEF afirma que os técnicos do banco estão sempre atualizando os procedimentos de segurança e que as ações de prevenção são constantemente renovadas. A assessoria do Banco do Brasil diz que são utilizadas várias ferramentas de segurança e que os clientes sempre são orientados sobre os cuidados que devem tomar para se prevenir.