As temperaturas em Bauru já deveriam estar mais amenas em função do outono, que começou no dia 20 de março. Entretanto, o clima de verão continua castigando alguns e ampliando o espírito de férias de outros, que podem se refrescar nas piscinas de suas casas ou clubes. A sensação de forte calor ocorre por uma massa de ar seca e quente concentrada sobre as regiões Centro-Oeste e Sudeste do Estado.
As medições de temperatura do Instituto de Pesquisas Meteorológicas (IPMet) revelam que a temperatura máxima nos primeiros 15 dias de abril superou a média histórica dos últimos 25 anos para o mês. A média histórica nas últimas duas décadas é de 29,1 graus, contra a média deste mês de 31,3 graus. O pico da temperatura neste abril de 2005 chegou a 32,6 graus, enquanto a máxima registrada no mesmo período de 2004 foi de 32 graus, e em 2003, de 32,2 graus.
As altas temperaturas incomodam o jardineiro desempregado Luiz Roberto Silvério e a promotora de vendas Gláucia Priscila Carneiro. Ambos estão constantemente expostos ao sol, o que amplia a sensação de calor. O jardineiro reclama que os dias quentes castigam quem está na luta por uma colocação no mercado de trabalho.
Silvério ameniza o calor com um picolé, saboreado todos os dias. Já para Carneiro, que passa grande parte do dia andando pelo Calçadão para fazer suas vendas, o remédio para a alta temperatura é água fresca. “Ainda bem que tem a Catedral (do Divino Espírito Santo) para matar a sede”, comemora.
Depois que deixa o trabalho, ela ainda tem mais uma jornada de estudos no cursinho à noite. Ela lamenta não ter tempo de ir para casa tomar um banho, que refresca e dá mais disposição para o aprendizado em sala de aula.
O outono no mês de abril de 2005 vai ficar marcado pelas boas vendas de bebidas, preferencialmente as geladas, como água de coco, água mineral, refrigerantes, cervejas, além de sorvetes e comidas leves.
Para os vendedores de sorvete que circulam nos bairros e Centro da cidade, o calor fora de época é uma bênção para as finanças. O vendedor Francisco Benedito Lopes diz que já houve épocas em que vendia 100 picolés por dia. Hoje, o número caiu para 50.
Mesmo assim, o vendedor ambulante, circulando há 20 anos com seu carrinho pelas ruas de Bauru, comemora o fato do calor ter invadido o outono. Outro sorveteiro da Praça Rui Barbosa, Pedro Francisco Pinto, com 30 anos de profissão, não reclama das vendas.
O carioca Paulo Diamantino diz que prefere água de coco, garapa e sucos para se refrescar, porém, foge dos refrigerantes. Ele comenta que ainda não se acostumou com o calor bauruense, apesar de vir de uma cidade quente como o Rio de Janeiro. “Você sente o tecido da roupa quente no corpo”, comenta.
Seu filho, Kenny Gonçalves Diamantino, reside em Governador Valadares, Minas Gerais, onde o calor é muito acentuado. Ele conta que os termômetros de rua chegam a indicar 50 graus no verão. Contra o calor de Bauru, o pai optou pela água de coco e o filho preferiu o suco natural, anteontem.
Outra característica que aponta o outono deste ano como estação quente é a moda. Roupas leves, minissaias, miniblusas e umbigo de fora ainda predominam nas ruas de Bauru, apesar do outono preceder o inverno.
A meteorologista do IPMet Rita de Cássia Cerqueira diz que hoje podem ocorrer chuvas isoladas e queda na temperatura. Mas o calor não deve ir embora.