10 de julho de 2026
Auto Mercado

Gasolina ruim e 'rabo-de-galo' detonam bomba elétrica

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 4 min

Se você é daqueles donos de carro a gasolina que tem a mania de misturar álcool no tanque, o popular “rabo-de-galo”, ou costuma abastecer no primeiro posto que vê pela frente sem pensar na qualidade do combustível, prepare o bolso para o prejuízo. Isso porque tais hábitos são os “vilões” do desgaste prematuro da bomba elétrica, componente responsável pelo envio de combustível aos motores dos automóveis equipados com injeção eletrônica.

Desenvolvida para durar mais de 80 mil quilômetros nos veículos a gasolina e mais de 30 mil nos a álcool, a bomba elétrica pode parar de funcionar bem antes disso devido aos efeitos nocivos do “rabo-de-galo” e da gasolina “batizada” com solventes ou outros componentes químicos. “Nestes casos, ela não costuma passar dos 20 mil quilômetros”, enfatiza o mecânico Argemiro Bormio Júnior.

E, apesar de ressaltar que o combustível adulterado é o principal causador de danos no sistema de alimentação dos veículos, Bormio Júnior sustenta que o “rabo-de-galo” é tão prejudicial quanto a gasolina “batizada”. “Os equipamentos internos da bomba elétrica para gasolina são diferentes das a álcool. Por isso, quando se costuma adicionar álcool no tanque, os componentes começam a danificar-se mais rapidamente”, explica.

O mecânico conta, ainda, que o “rabo-de-galo” também provoca oxidação de componentes das bombas elétricas localizadas dentro dos tanques. “Tudo isso é causado porque os carros a gasolina não estão preparados para receber álcool além da porcentagem já existente no combustível brasileiro”, ressalta Bormio Júnior.

E, por falar em preparação, o mecânico salienta que é preciso atenção redobrada com as conversões de motores a gasolina para álcool. “Além de mexer no motor, uma boa transformação exige também a substituição da bomba elétrica de combustível. Entretanto, como é difícil saber se foi trocada ou não, a pessoa tem de confiar no mecânico. Assim, procure um profissional de sua extrema confiança para efetuar tal serviço”, frisa.

Já o engenheiro mecânico bauruense Marcos Bormio chama a atenção para o fato de que a falta de manutenção no sistema de alimentação também pode danificar a bomba elétrica. “É fundamental fazer as revisões periódicas nos filtros e no tanque”, salienta.

Os filtros citados por Bormio são os de combustível, que têm a função de mantê-lo livre de impurezas, e um pré-filtro existente no interior da bomba elétrica, cuja missão é “limpar” a gasolina ou o álcool e evitar que possíveis impurezas contidas no tanque entrem no componente.

“Trocar o filtro de combustível fora do período recomendado pode ocasionar seu entupimento, obrigando a bomba a trabalhar sobrecarregada. Também é recomendada uma inspeção interna no tanque para avaliar a existência de sujeiras que possam comprometer o sistema”, orienta o engenheiro. Por isso, é recomendável substitui-lo a cada 20 mil quilômetros nos veículos a gasolina e a cada 10 mil nos a álcool. Já a checagem do tanque e do pré-filtro deve ser efetuada a cada 30 mil quilômetros.

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Defenda-se

• Para denunciar um posto revendedor de combustível “batizado” à Agência Nacional do Petróleo (ANP), há dois caminhos: através do site www.anp.gov.br na seção “Fale com a ANP” ou pela Central de Atendimento 0800-900-267

• Para registrar sua denúncia, obtenha o maior número de informações sobre o posto, como CNPJ, razão social, endereço, distribuidora e a descrição do ocorrido. Para isso, tenha nota fiscal

• Exija sempre a nota fiscal para garantir o conhecimento da origem do combustível. Além disso, podem ser verificadas outras obrigações do posto, tais como: placa da ANP visível com o telefone do Centro de Relações com o Consumidor (0800 900 267), bandeira do posto e a marca da distribuidora no caminhão que abastece o posto igual à informada na bomba

• Para ressarcir-se de prejuízos causados pelo combustível adulterado, procure orientação junto aos órgãos de defesa do consumidor, como Procon ou Ministério Público

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Você sabia que...

• Entre os anos 2000 e 2004, 18 postos bauruenses foram autuados por comercializarem combustíveis fora dos padrões de qualidade? No total, os estabelecimentos foram responsáveis por 28 multas aplicadas pela Agência Nacional do Petróelo (ANP).

• A relação dos revendedores autuados e/ou interditados no País pela qualidade dos combustíveis pode ser vista no site http://www.anp.gov.br/petro/mapa_fiscaliza.asp?

• Todos os postos são obrigados pela ANP, conforme a portaria 248, de 31 de outubro de 2000, a manter um kit de testes disponível para o consumidor que pode detectar o excesso de álcool na gasolina?

• Para estar em conformidade com as normas da Agência Nacional do Petróleo, a gasolina deve ter 25% de álcool, com tolerância de 1% para mais ou para menos?