08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Grupos de extermínio


| Tempo de leitura: 2 min

A carta escrita e publicada pelo senhor Valentim nesta coluna, em 12/4/2005, onde ele desfila sua humanidade contra os grupos de extermínio está repleta de acertos. De fato, uma nação que deseje benefícios sociais, desenvolvimento, paz e justiça para seu povo não pode tolerar o assassinato, a impunidade e, principalmente, o abuso de poder autoconcedido com o qual certas autoridades arrogantes e prepotentes desempenham suas funções. E aí não devemos incluir tão somente policiais. No entanto, faltou na bem escrita carta do senhor Valentim que este também citasse o outro lado da moeda, quase sempre esquecida pelo pensamento liberal que há quase duas decadas governa e influencia a governabilidade e inclusive o direito brasileiro. Refiro-me ao fato igualmente revoltante de que as vítimas dos homicidas, assaltantes, estupradores, etc, não estão sendo brindadas com o mesmo tratamento e cuidado que as organizações de direitos humanos dispensam aos criminosos no tocante à inviolabilidade de seus direitos, bem como essas vítimas não gozam da mesma exposição e tratamento “bondoso” com que a grande mídia quase sempre apresenta os foras-da-lei!

E, só para completar: bem que o senhor Valentim poderia ter acrescentado em sua assertiva aquilo que o próprio secretário da Segurança Pública do Estado de São Paulo e também promotor de Justiça (e dos bons!) Saulo de Abreu Castro, com justa indignação, chamou em recente palestra na ITE de “glamourização do crime pelos intelectuais e artistas”, citando a avalanche de filmes, novelas e letras de músicas (o RAP é a pior de todas), onde o crime é mostrado à juventude como uma saída inexorável à pobreza e todos sabemos que não é bem assim...

No mais, continuo a concordar com o senhor Valentim quando ele escreve (e peço licença para mais uma vez reproduzir posto que é uma frase lapidar) as palavras com as quais fechou seu pensamento: “Aliás, o maior crime do Brasil é a concentração de renda que criou este holocausto social em que vivemos.” Para quem ainda duvida, o Haiti é aqui! (Paulo Boccato - acadêmico de direito)