08 de julho de 2026
Bairros

Exemplos de zelo e respeito

Sérgio Pais
| Tempo de leitura: 2 min

Aos 72 anos, o funcionário público aposentado Antônio da Silva repete religiosamente a cada quatro meses uma rotina que mantém há anos: munido de enxada, galão de água e “um lanchinho”, Silva encara 30 minutos de ônibus para se deslocar da Bela Vista, onde mora, para o Jardim América, onde seu filho possui um lote de terreno com 420 metros quadrados. A missão: fazer a capinação do mato.

Ele garante que o esforço não tem como principal motivação o temor de uma eventual autuação por parte da prefeitura. “Faço isso porque deixa o terreno bonito e a vizinhança satisfeita. Só gostaria que os outros fizessem o mesmo”, diz Silva, apontando para vários lotes nas proximidades completamente tomados pelo matagal.

Cuidadoso, o aposentado reúne os resíduos da capinação em pequenos montes que, segundo ele, “desaparecem” com o tempo. Ele se recusa terminantemente a colocar fogo no mato cortado. “Fica mal fazer a fumaça e a fuligem sujarem as roupas que os vizinhos (do terreno) colocam no varal”, explica.

Silva diz ainda que seu filho insiste para que ele desista desta prática com a contratação de um trabalhador para executar o serviço. “Faço com carinho e amor e, além disso, ninguém fará o serviço com capricho igual ao meu”, completa, orgulhoso diante do terreno totalmente capinado.

O jardineiro autônomo Ermírio Mangaba, 75 anos, também elogia o empresário que o contrata periodicamente a cada quatro meses para capinar uma área de 1.000 metros quadrados no Jardim Estoril. “Ele (o empresário) é muito cuidadoso”, garante o jardineiro, que cobra R$ 120,00 para executar o serviço durante três dias.

Mesmo para Mangaba, que “nasceu capinando”, o serviço é bastante pesado. Mas o jardineiro o executa com a mesma determinação de quando trabalhava na roça no Interior de Minas Gerais, onde nasceu. Ele só reclama mesmo de alguns vizinhos, que insistem em jogar lixo no terreno. “Acho ruim para trabalhar, porque ‘amarra’ o serviço”, diz.