11 de julho de 2026
Economia & Negócios

Com menos juro e burocracia, ter casa própria fica mais fácil

Patrícia Zamboni
| Tempo de leitura: 4 min

Mesmo ainda sendo um sonho distante para muitas pessoas, a aquisição da casa própria tornou-se mais fácil para boa parte da população. Entre as facilidades oferecidas pelas instituições financeiras estão a recente queda nos juros cobrados em financiamentos habitacionais, a ampliação do público que pode ter acesso a linhas com recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e os consórcios imobiliários.

Basicamente, os grandes bancos trabalham com as linhas do Sistema Financeiro de Habitação (SFH) e a Carteira Hipotecária. As opções oferecidas pelo SFH são mais populares, destinadas à compra de imóveis no valor de até R$ 350 mil e com taxa de juros máxima de 12% ao ano.

A Carteira Hipotecária permite a aquisição de imóveis de valor maior, mas os juros variam de 13% a 14% ao ano, em média. Nesta opção não pode ser utilizado o FGTS para fazer o financiamento, ao contrário do que ocorre com as linhas do Sistema Financeiro de Habitação.

De acordo com o superintendente do Escritório de Negócios (EN) da Caixa Econômica Federal (CEF) em Bauru, Geraldo Luiz Machado de Oliveira, o consórcio imobiliário tem registrado grande procura. “É uma modalidade bastante simples que permite o acesso à moradia própria a um grande número de pessoas”, observa Oliveira.

Levantamento da Caixa mostra que, no ano passado, foram comercializados 227 consórcios na região de abrangência do EN. Neste ano, até o dia 8 de abril já foram comercializados 165 consórcios na área do EN, sendo 22 na cidade de Bauru.

Segundo Oliveira, no consórcio o valor contratado agora chega a R$ 180 mil, podendo ser parcelado em 60, 90 ou 120 meses. “O consórcio é ideal para atender as necessidades de quem quer um imóvel pronto, seja novo ou usado. Não há incidência de juros sobre o valor das prestações e sobre o saldo devedor. A taxa de administração é de apenas 1,7% ao ano.”

Sonho conquistado

Cátia Aguiar dos Santos Martins conquistou seu sonho de ter uma casa própria maior do que a outra em que residia com sua família por meio do consórcio habitacional. Morando na Vila Dutra, hoje ela está realizada.

“Eu tive sorte e já fui contemplada no segundo mês. É uma casa de três quartos que eu vou pagar em dez anos. A taxa de administração é bem baixinha e eu pago prestações fixas de R$ 270,00. É o valor de um aluguel”, observa Cátia.

Também da CEF, o programa Carta de Crédito Associativa em Condições Especiais contempla famílias com renda mensal de até R$ 1.560,00. Neste ano, os juros foram reduzidos de 8% para 6% ao ano. Para 2005, este programa tem disponíveis R$ 1 bilhão de recursos do FGTS para atender a demanda nacional, sendo metade para famílias com renda de até R$ 1.000,00.

“No total, o orçamento do FGTS para as linhas da CEF passou de R$ 7,5 bilhões (teto do ano passado) para R$ 10 bilhões este ano. A verba para a região de Bauru também é maior que a de 2004. Outra facilidade é que a cota do financiamento para imóvel usado, que era de 70%, passou para 90%”, destaca Oliveira.

Na linha chamada Carta-Caixa, os juros caíram de 13,7% para 12,5%, e o prazo para pagar passou de 180 meses para 240 meses. “Com certeza, está mais fácil realizar o sonho da casa própria”, acrescenta o superintendente regional da CEF.

Os bancos privados têm cerca de R$ 12 bilhões para aplicar em financiamento habitacional este ano. Segundo a assessoria de imprensa da Nossa Caixa, o banco reduziu os juros dos empréstimos de valores inferiores a R$ 40 mil no SFH. A taxa caiu de 12% para 9% ao ano.

Ainda na Nossa Caixa, os financiamentos entre R$ 40 mil e R$ 80 mil têm juros de 10% ao ano, e na faixa de R$ 80 mil a R$ 120 mil, a taxa é de 11% ao ano. Os bancos Bradesco e HSBC também reduziram os juros de suas carteiras de crédito imobiliário.

O advogado da Associação Brasileira de Moradores e Mutuários (ABM), Ricardo da Silva Bastos, diz que, independentemente da linha de crédito imobiliário, o candidato a mutuário sempre deve observar a taxa de juros e o prazo do financiamento.

“A pessoa deve ficar sempre atenta a isso porque, muitas vezes, a taxa pode ser negociada. Já o financiamento, quanto mais longo pode onerar o mutuário no final. Então, cada pessoa tem que avaliar a sua renda para decidir qual o melhor prazo para pagar (a sua casa). Na dúvida, consulte um advogado, economista ou consultor especializado no ramo.”