09 de julho de 2026
Regional

Falta de energia mata 6,8 mil aves

Ricardo Santana
| Tempo de leitura: 4 min

Arealva - A falta de energia elétrica anteontem causou a morte de mais de 6.820 frangos de corte destinados a frigoríficos da região. Apenas em Arealva (41 quilômetros a norte de Bauru) em duas propriedades morreram 2.720 aves. O número de frangos perdidos pode ser maior, assim como o prejuízo de R$ 20 mil, pois o corte afetou várias propriedades em Arealva.

No sítio Alvorada, bairro de Ribeirão Bonito, morreram 2.500 aves. Na propriedade ao lado, o sítio São João, cerca de 220 frangos não resistiram ao calor.

O produtor rural Hélio Donizeti Bertoldo, do sítio Alvorada, explica que todo o sistema de refrigeração da granja (aspersor, ventiladores e bomba do poço artesiano) ficou desativado, o que transformou os galpões em verdadeiras estufas.

Conforme informações do médico veterinário da Avícola Santa Cecília, Ricardo Fachim Prado, a temperatura ideal da granja, com ventiladores e aspersores em funcionamento, seria entre 28 a 30 graus centígrados. Entretanto, ele explica que, com o calor de anteontem e os equipamentos desligados, a temperatura nos galpões chegou a 40º.

Além da Avícola Santa Cecília, o Frigorífico Itabom, ambos de Itapuí (42 quilômetros a leste de Bauru), também teve fornecedores com perda de aves. O Itabom perdeu 600 frangos em Arealva e 3.500 no município de Boa Esperança do Sul, região de Araraquara.

O supervisor administrativo do Itabom, Renato José Baldo, explica que os prejuízos dos fornecedores chegam a R$ 12.790,00, apenas com as aves perdidas. Se for incluir a comissão paga ao produtor, a perda financeira sobe para cerca de R$ 15 mil. “A empresa vai ter que cobrir também o prejuízo do integrado (produtor)”, ressalta. O Itabom trabalha com produtores rurais em forma de parceria. Baldo explica que a empresa solicitou aos granjeiros que registrem o fato em Boletim de Ocorrência, que será utilizado pelo departamento jurídico do frigorífico para acionar judicialmente a Companhia Paulista de Força e Luz (CPFL).

Bertoldo acionou o advogado Sandres Juliano Alves Felix para entrar com uma ação na Justiça buscando reparação de danos contra a concessionária de energia. “As aves morreram por falta de energia. Eles têm que indenizar a gente porque foi culpa deles”, avalia Bertoldo. De acordo com o produtor rural, seu prejuízo é de R$ 8 mil. Para ele, a morte das aves é mais desalentadora porque iria embarcar, hoje, os 15.500 frangos para a Avícola Santa Cecília.

No sítio São João, vizinho de cerca do Alvorada, a senhora Belmira de Oliveira Prado conta que perdeu cerca de 220 aves, que seriam transferidas também para a Santa Cecília amanhã. “Não foi culpa da gente”, ressalta a sitiante, que produz cerca de 6 mil aves.

O delegado de Arealva, Kleber Oliveira Granja, preferiu não se manifestar ontem, pois aguarda mais informações dos fatos.

Bertoldo conta que a CPFL mandou, quatro dias antes do corte, uma notificação informando que faltaria energia no período das 9h às 14h, de anteontem. Entretanto, garante que a luz só voltou por volta das 18h. Ele relembra que os primeiros frangos começaram a morrer às 15h. “Começou devagarzinho. Depois foi deitando tudo e foi morrendo”, explica.

O produtor rural esclarece que não dispõe de um gerador de energia e nem teria como alugar o equipamento. Ele também acrescenta que não teve iniciativa de um contato com a CPFL quando observou a demora na retomada de fornecimento de energia.

Bertoldo explica que cria aves no sítio há 15 anos junto com o sogro Vivaldo Fernandes do Prado, proprietário da área.

Ele conta que esta foi a primeira vez que uma falta de energia elétrica foi tão prolongada.

A propriedade rural possui dois galpões, um com 720 metros quadrados e outro medindo 560 metros quadrados. As granjas não são fechadas, sendo cercadas por tela de arame.

Bertoldo explica que um técnico da Avícola Santa Cecília visitou a propriedade ontem, pela manhã. Ele orientou que as aves mortas fossem enterradas no sítio. O produtor rural aguardava para o período da tarde de ontem a chegada de uma máquina da prefeitura de Arealva para enterrar os frangos. Conforme Bertoldo, o técnico da avícola está acompanhando o processo de destinação das aves mortas.

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CPFL

Em nota ao JC, a CPFL confirma que realizou no último domingo um desligamento de energia programado na área rural que fica na divisa entre os municípios de Bauru e Iacanga. O desligamento, programado entre 9h e 14h, segundo a empresa, foi necessário para executar serviços de manutenção na rede de energia elétrica. Na nota, a concessionária cita que, durante a execução do trabalho, foi diagnosticada a necessidade de executar serviços complementares na rede, o que exigiu prorrogar até 15h30 a interrupção do fornecimento de energia. Conforme a nota da CPFL, os serviços somente poderiam ser identificados com a rede desligada.

A nota finaliza informando que, após o restabelecimento da energia elétrica, houve nova interrupção de energia provocada por um defeito transitório na rede. Este problema estava totalmente desassociado dos trabalhos de manutenção, segundo a empresa. As equipes da CPFL foram acionadas com urgência para restabelecer a energia elétrica e todos os consumidores foram religados às 18h, mas as causas da interrupção ainda não foram identificadas.