08 de julho de 2026
Geral

Escolha de Ratzinger surpreende

Luciana La Fortezza
| Tempo de leitura: 3 min

A fumaça branca que fluiu ontem pela chaminé do Vaticano encheu o peito dos baurenses de expectativa. A exemplo do que ocorreu no Vaticano, os sinos das igrejas de Bauru também soaram para anunciar a boa nova: o substituto de João Paulo II havia sido escolhido. Cerca de 40 minutos depois, o anúncio de que o alemão Joseph Ratzinger seria o novo papa surpreendeu membros da Igreja Católica bauruense.

Nenhum dos entrevistados ouvidos pelo JC apostava na escolha do cardeal Ratzinger para novo pontífice. Apesar de destacarem carinho na acolhida do sucessor de Karol Wojtyla, todos eles confirmam que figuravam no topo de cada “lista pessoal” nomes de nacionalidade brasileira, latino-americana, além de progressistas.

O vigário geral da Diocese de Bauru, Luís Antônio Carquejo Sé, por exemplo, confessou simpatia a nomes que representassem o Terceiro Mundo. Esperança semelhante manteve o vigário paroquial da Catedral do Divino Espírito Santo, Herman Maria Vos. “Recebemos (o anúncio do novo papa) com tranqüilidade. Respeitamos e vamos colaborar com ele. Não apostávamos (na escolha de Ratzinger, 78 anos) por causa da idade”, explica Sé.

Tanto para ele quanto para Herman, o novo potífice que adotou o nome de Bento XVI não será mais conservador que João Paulo II. “O desafio (do novo líder da igreja católica) é manter a união da Igreja apesar da diversidade”, explica Herman, que também é professor da Instituição Toledo de Ensino (ITE). Ainda na opinião dele e de Sé, Ratzinger pode surpreender os católicos porque, a partir de agora, terá mais liberdade para atuar. O novo pontífice foi por 23 anos guardião da Congregação para a Doutrina da Fé do Vaticano.

Além disso, em entrevistas anteriores, Ratzinger acenou com a possibilidade de fortalecer o papel dos bispos, medida que seria adotada após a reavaliação hierárquica da Igreja Católica. A iniciativa seria um legado do Concílio do Vaticano II, conselho de bispos de todo o mundo convocado pelo então papa João XXIII, entre 1959 e 1964.

Aliás, levado pela expectativa de ver as diretrizes estabelecidas pelo concílio deslancharem, a ala progressista da Igreja se apegou à esperança de um nome mais progressista ser escolhido para comandar a Igreja, informa Claudio Zanata, membro do Conselho Nacional do Laicato do Brasil Diocese de Bauru (antigo conselho diocesano de leigos).

“O concílio implementou uma política de abertura dentro da igreja católica. A missa era rezada em latim passou a ser rezada na língua do país. Houve maior abertura para a participação dos leigos e das mulher. O que se sentiu depois (do papado de João Paulo II) é que essa abertura foi mais lenta”, comenta. Por outro lado, o aspecto conservador atribuído a Ratzinger pode fortalecer a Renovação Carismática, diz o membro do movimento Adilson Motta.

“O papa vai manter a Igreja dentro de seus dogmas. Pela celebração e pela homilia que fez, ele (o novo pontífice) diz tudo o que a Igreja quer ouvir. Pensei num papa italiano, mas logo em seguida deixei na mão do Espírito Santo”, conclui o carismático.