A escolha do cardeal alemão Joseph Ratzinger para substituir Karol Wojtyla no comando da Igreja Católica destaca o caráter transitório do novo pontificado. A avaliação do arcebispo de Botucatu, dom Aloysio Leal Penna, toma como base a idade avançada do novo líder católico que, aos 78 anos, adotou o nome de Bento XVI.
“Existiam duas tendências. Uma que falava nele (Ratzinger) e no cardeal (Carlo Maria) Martini (Itália) como papas de transição. A outra (de papados mais longos) apontavam nomes como dom Cláudio Hummes e Dionigi Tettamanzi (Itália). Eu achava que elegeriam um de transição porque seria uma época de adaptação. João Paulo II foi um grande papa, mas o governo dele foi prolongado e sofreu desgaste”, diz Aloysio.
Na opinião dele, o desgaste seria reflexo dos problemas de saúde que acometeram João Paulo II. “Fiquei impressionado quando o vi (pela última vez, quando tentou em vão falar ao público). Do meu lado teve gente que chorou”, conta o arcebispo, que em várias oportunidades participou de almoços reservados com Karol Wojtyla. Ele também esteve presente no funeral do então papa e na missa de corpo presente.
Ainda em Roma, dom Aloysio acompanhou anteontem a escolha de Ratzinger para novo pontífice. “Ele tem se apresentado de maneira muito simpática. Eu creio que quando a pessoa assume esse cargo, está consciente que vai atingir todo o povo”, conclui dom Aloysio, que domingo participa da posse do novo pontífice.