09 de julho de 2026
Articulistas

É proibido magoar alguém


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Esse era o lema da OVJ – Ordem dos Velhos Jornalistas, seção de Bauru, organização fundada em 1980 e que existiu por dez anos. O inspirador foi o já saudoso Nadyr do Nascimento Serra. Por sua sugestão, no dia 10 de agosto desse ano, reuniram-se na casa do “Mestre Cirilo” – Carlos Fernandes de Paiva, o próprio Nadyr, João Correia das Neves, Oswaldo Gaspar, Celina Lourdes Alves Neves, Gabriel Ruiz Pelegrina e este articulista. Aprovada a idéia, em reunião do dia 31, a esse grupo se juntaram Oscar Padilha, Luiz Soares de Araújo, Antonio Bueno dos Santos (Broncolino), Jehovah de Oliveira (Valzinho), Nidoval Reis, Henrique Guimarães d’Avila, Carmina Silmalha de Araújo, Hélcio Pupo Ribeiro, Hermógenes de Oliveira, João Alvares, Aldir Pereira Guedes, Silvio de Oliveira, Geraldo Scaraboto, Nicanor Amaro Silva e Milton Siles de Freitas. Nessa reunião, realizada na loja maçônica “Arquiteto de Ormuzd”, definiu-se o estatuto e foi eleita a primeira diretoria: Presidentes Eméritos – Carlos Fernandes de Paiva, João Correia das Neves e Oswaldo Gaspar; Presidente – Pedro Grava Zanotelli; Vice-Presidente – Jehovah de Oliveira; 1º Secretário – Celina Lourdes Alves Neves; 2º Secretário – Hermógenes de Oliveira; 1º Tesoureiro – Gabriel Ruiz Pelegrina; 2º Tesoureiro – João Alvares e Diretores Sociais – Nadyr do Nascimento Serra e Milton Siles de Freitas. No dia 04 de outubro, no Sindicato do Comércio Varejista, foi realizada a solenidade de posse com a presença de comitiva da OVJ-São Paulo, presidida por Silveira Peixoto e da OVJ-Ribeirão Preto, presidida por Rubens Cione e da qual fazia parte Antonio Machado Sant’Anna, idealizador da Ordem dos Velhos Jornalistas de São Paulo e Ribeirão Preto. Nos anos seguintes juntaram-se outros como Oscar Guimarães, Edio Sormani e Luciano Dias Pires.

A OVJ não tem finalidade corporativista ou ideológica. Seu objetivo é criar um ambiente onde o velho jornalista possa manter viva a chama do ideal que motivou o seu trabalho e a sua vida, na convivência com os companheiros. Quando na ativa, o jornalista é figura presente em quase todos os acontecimentos oficiais e sociais, desfrutando de algum destaque e de atenção. O interesse principal da sua presença é que o acontecimento venha a ser noticiado, mas quando o jornalista se aposenta, o destino comum é o esquecimento, que o afeta mais que às outras pessoas. Nas reuniões da OVJ ele continua recebendo atenção e pode reviver momentos que foram importantes e felizes em sua vida. Nos dez anos de OVJ-Bauru foram feitas excursões para Foz do Iguaçu, com visita ao salto de Sete Quedas, antes de ser tragado pelo lago da usina de Itaipu; a Ribeirão Preto, para retribuir a visita e passeio de barco em Barra Bonita. No aniversário de Bauru em 1982, foi feita uma retrospectiva da imprensa bauruense na Biblioteca Municipal e inaugurada a sala da imprensa no Museu Municipal, que infelizmente não existe mais. Nas reuniões mensais, enquanto dona Celina declamava algumas poesias, o Helvécio levava as suas trovas, os irmãos Oliveira (Walter, Hermógenes, Valzinho e Nadyr) tocavam e cantavam, Correia das Neves relembrava episódios políticos, Edio Sormani falava de pescarias, o Gabriel discutia a origem do nome Bauru, o Gaspar comentava os erros divertidos que escapam da revisão, outros comparavam o jornalismo antigo em confronto com o atual, do jornal composto a mão à linotipo e à composição eletrônica. As reuniões eram alegres, fraternas e para evitar que alguém saísse melindrado por não receber a atenção que merecia é que foi adotado o lema “É proibido magoar alguém”.

O autor, Pedro Grava Zanotelli, foi presidente da OVJ-Bauru durante os seus dez anos de existência