09 de julho de 2026
Regional

Acusado de pedofilia morre na cadeia

Adilson Camargo
| Tempo de leitura: 3 min

Igaraçu do Tietê - O calçadista Paulo Ignácio Cruz, 32 anos, acusado de cometer abuso sexual contra seis crianças de Jaú, foi encontrado morto na manhã de anteontem em uma das celas da cadeia de Igaraçu do Tietê. Ele estava preso desde a última segunda-feira a pedido da Delegacia de Defesa da Mulher (DDM), que investiga o caso.

De acordo com a Polícia Civil, Cruz teria se enforcado com o uso de um lençol. Por ter sido acusado de crime sexual contra menores, o calçadista estava cumprindo os 30 dias de prisão temporária em uma cela separada dos demais presos, segundo a polícia. Cruz foi encontrado por um carcereiro pendurado em um vitrô da cela, com o lençol amarrado no pescoço.

Segundo o relato de um funcionário da cadeia que pediu para não ser identificado, durante a madrugada de anteontem, antes de cometer o suposto suicídio, o calçadista teria se mostrado muito perturbado. Isso teria levado os funcionários de plantão a conversar com ele até por volta das 2h, na tentativa de acalmá-lo.

Quando amanheceu, os carcereiros encontraram o calçadista já morto quando realizavam a contagem matinal dos presos. A Polícia Científica esteve no local e periciou a cela. A morte do calçadista será apurada em inquérito policial.

No dia em que Cruz foi preso pela polícia de Jaú, os moradores do Jardim Padre Augusto Sani, onde ele residia, ameaçaram linchá-lo. A polícia foi avisada e conseguiu evitar a agressão. O calçadista era casado e tinha um filho de seis meses.

Cruz foi preso na segunda-feira à noite. Na terça, durante a madrugada, a casa dele foi furtada. Temendo pela segurança própria e do filho, uma vez que os moradores do bairro ameaçam pôr fogo na casa, a mulher do acusado achou melhor sair dali e foi escoltada pela polícia.

Ontem, a reportagem não encontrou o delegado Edson Maldonado para comentar a morte do calçadista. Como delegado interino da DDM, era Maldonado quem estava conduzindo as investigações sobre a denúncia de pedofilia. O caso foi remetido à DDM porque envolve menores de idade.

As acusações foram apresentadas no plantão policial de domingo passado pelos pais de quatro das seis crianças que teriam sido abusadas sexualmente pelo calçadista. Na segunda-feira, Maldonado iniciou as investigações e pediu a prisão temporária do acusado, que foi aceita pela Justiça.

De acordo com a versão dos menores, Cruz os convidava para brincar de videogame na casa dele. Depois de um tempo, ele teria passado a acariciar os órgãos genitais dos meninos. O calçadista chegou a ser acusado de tentar penetração anal em uma das crianças. O mais comum, no entanto, segundo contou o delegado no dia da prisão, era a prática de sexo oral.

Esse contato mais íntimo entre o acusado e as crianças teria começado há cerca de sete meses, quando Cruz estava desempregado e ficava a maior parte do tempo em casa, sozinho. Segundo o delegado, o calçadista teria admitido os abusos. As crianças que freqüentavam a casa dele têm de 6 a 9 anos de idade.