09 de julho de 2026
Geral

Alerta sobre a tênia do peixe esfria consumo do produto cru

Marcelo Ferrazoli
| Tempo de leitura: 3 min

Apesar de nenhum caso ter sido registrado em Bauru, segundo o Departamento de Vigilância Sanitária, o surto de difilobotríase em São Paulo - doença causada por um parasita conhecido como a tênia do peixe - originário, segundo o Ministério da Agricultura, do salmão importado do Chile, já reflete mudanças em Bauru. Os principais prejudicados são os estabelecimentos que comercializam o produto cru, que viram a freguesia “despencar”.

Em um deles, um restaurante especializado em comida japonesa e chinesa, o proprietário conta que o movimento diminuiu cerca de 50%. “Apesar do problema ser restrito ao salmão, as pessoas se assustaram com o peixe cru de forma geral”, explica Wagner Sugayama.

Para tentar amenizar a situação, ele conta que passou a trabalhar com o salmão grelhado, opção que não ajudou muito. “Mesmo assim, é um prato que não tem saído muito porque os clientes ainda temem a doença”, sustenta. Enquanto o movimento não melhora, Sugayama conta com a mídia para a situação normalizar. “As pessoas precisam informar-se melhor sobre a doença e, nesse sentido, a imprensa tem papel fundamental”, acrescenta.

Freguês do mesmo restaurante, o professor Paulo Campos revela não ser adepto de comidas crus. “Se já não era antes, não vai ser agora que passarei a gostar”, enfatiza. Entretanto, ele pondera que é preciso saber escolher onde se come. “Tudo depende do ambiente. Se é um lugar limpo e higiênico, aqueles que gostam de peixe cru, como o salmão, não têm razão para ter medo”, argumenta.

Já a comerciante Maria Lúcia Pasquarelli, dona de uma peixaria em Bauru, diz que só não foi afetada pelo problema porque seu estabelecimento vende apenas peixes congelados. “Mesmo assim, as pessoas perguntam se o salmão não tem problema. Procuro tranqüilizá-los e orientá-los que, neste caso, não há razão para preocupação”, frisa.

Em reportagem recente sobre o assunto no JC, a diretora da Divisão de Vigilância Sanitária Municipal, Ana Paula Nardo Silva, afirmou que não há motivo para alarde e que as medidas de prevenção são bastante simples, bem como o tratamento da doença. Desde março de 2004, foram registrados 28 casos em São Paulo.

A difilobotríase é uma doença intestinal de longa duração causada por um parasita que pode viver no organismo humano (intestino) por mais de dez anos sem se manifestar. Quando isso ocorre, os principais sintomas são diarréia, dor abdominal, flatulência e, às vezes, vômito. Geralmente, a doença é diagnosticada por meio de exame de fezes.

Segundo Nardo Silva, para evitar a contaminação os peixes devem passar por um processo de cozimento a 60 graus por pelo menos dez minutos, ou serem congelados antes do consumo à temperatura de 35 graus negativos durante 15 horas ou a 23 graus negativos por sete dias. A indústria de eletrodomésticos aponta que os freezers domésticos (geladeira com duas portas) podem chegar a uma temperatura de até 18 graus negativos.

Outras providências recomendadas pela Divisão de Vigilância Sanitária Municipal são consumir peixes e mariscos em locais idôneos, comprar somente em estabelecimentos com alvará sanitário e tomar cuidados no preparo se for fazer o prato em casa.

Na mesma reportagem do JC, o médico infectologista Marcelo Pesce ressaltou, ainda, que o tratamento para a doença é simples. “Ele consiste em tomar, em dose única, o medicamento praziquantel, comum em casos de verminose. Se houver anemia, será preciso repor a vitamina B12.”

Em um comunicado do Centro de Vigilância Sanitária (CVS) e Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE), da Secretaria de Estado da Saúde, há uma série de informações sobre as formas de prevenção à doença. A cartilha de orientação pode ser consultada no site www. cve.saude.sp.gov.br.