08 de julho de 2026
Tribuna do Leitor

Rodeio


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Novamente, o diretor da Confederação Nacional do Rodeio vem a público defender essa atividade, usando os mesmos inconsistentes argumentos. Novidade nenhuma em se tratando de um pecuarista representante de entidade que agrega pessoas que exploram a comercialização animal. Bastaria esse motivo para que suas razões perdessem a força. Seria o mesmo que perguntar a um caçador se ele é favorável ao porte de armas.

Não bastasse isso, sua ponderação é fraca porque um mínimo de bom senso joga-a por terra. Basta observar que os animais, fora da arena, não pulam e são dóceis. Apenas pulam porque são obrigados a entrar no brete, fato que só é conseguido depois de muitas pauladas, empurrões, choques elétricos (nos eventos mais importantes, onde há fiscalização, esses artifícios são pouco usados, mas apenas porque há fiscalização da Polícia Florestal e das ONGs, entretanto, nas fazendas, nos treinamentos e nos eventos menores, a brutalidade e os maus-tratos correm soltos) e, em seguida, neles são colocados instrumentos causadores de sofrimento físico e mental, além do puxão violento dado no sedém ao adentrarem na arena. Tudo isso aliado aos golpes de esporas e ao ruído ensurdecedor vindo das caixas de som próximas ao confinamento desses animais.

O senhor Padilha quer subestimar a inteligência do leitor alegando que o sedém causa cócegas. Só rindo mesmo, não os animais, mas quem leu tal despropósito. À semelhança da excelente carta de Regiane M. D. Ribas, de 17/4/05 ao JC, que testemunhou crueldades contra o animal de rodeio, e outra de Flávia C. Kinskowiski (18/4/05-JC), nós também já flagramos muitos maus-tratos e vimos quase uma centena de fotos em uma exposição sobre os bastidores do rodeio, em 1999, na Unesp-Bauru, organizada pela professora Sonia M. Joaquim e pelos diretórios acadêmicos, que comprovam a brutalidade desse pseudo-esporte (aliás, a novela “América” glamouriza o rodeio e falseia a realidade, ignorando a crueldade em prol do lucro).

Aí entra a questão principal. Sabemos que outras atividades causam mais sofrimento ao animal, como pondera o senhor Padilha, e é exatamente isso que não podemos aceitar, porque se os animais já são considerados objetos de consumo, não têm nem direito à vida e sofrem horrores cotidianamente, ainda iremos submetê-los a mais maus-tratos para divertimento do ser humano e exploração comercial? Deveria haver limites éticos para tudo. Quanto a ser legalizado, pouco significa, pois, a exemplo da escravidão, hoje nos envergonhamos de inúmeras manchas de sangue na história da humanidade.

Também conhecemos mais de dez laudos médico-veterinários que atestam a crueldade das modalidades do rodeio completo, incluindo as terríveis provas de laço contra bezerros indefesos. Apenas daremos dois exemplos de que é possível constatar a dor do animal e que foram observados em animais de rodeio por esses especialistas: as pupilas dilatadas (midríase), que acontece na vigência de processo doloroso ou medo e pânico, e as diarréias constantes.

Em contrapartida, os pecuaristas apresentam um único documento como defesa, que é um laudo médico-veterinário, fruto de uma pesquisa liderada pelo prof. dr. Orivaldo Tenório de Vasconcelos, mas esse laudo não se sustenta porque esse professor participava de alguns rodeios como locutor e era membro honorário do clube “Os Independentes” de Barretos (associação de rodeio).

Portanto, quem não tem critério não são as batalhadoras ONGs ou pessoas que, apenas pelo senso de justiça e sem receber nada em troca, tentam proteger os animais da ganância humana. Essas, sim, merecem credibilidade e nosso respeito.

José M. Viana de Macedo - RG 6.527.158; Vera R. Jeanete Cardoso - RG 14.557.097