10 de julho de 2026
Cultura

Teatro Municipal, 5 anos

Diego Molina
| Tempo de leitura: 4 min

Em cinco anos de intenso uso, o palco do Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves já recebeu centenas de apresentações e espetáculos de diferentes gêneros, que provocaram risos, lágrimas, nós na garganta e toda sorte de emoções. O público que prestigia os artistas, atores, músicos e dançarinos é o responsável, com sua presença e seus aplausos, pela seqüência na abertura das cortinas.

Nesta terça, o espaço completa cinco anos de sua inauguração, no dia 26 de abril de 2000, e mantém-se em atividade com uma programação vigorosa e variada, porém que coleta críticas, especialmente à sua administração.

Com investimento avaliado em R$ 3,5 milhões, o Teatro Municipal foi inaugurado com uma área total construída de 800 metros quadrados e platéia com 488 poltronas, além de outros dez lugares para cadeiras de rodas. O projeto do espaço é dos arquitetos Maurício Queiroz Costa e Edward Albiero. O teatro integra o espaço do Centro Cultural Carlos Fernandes de Paiva, que abriga as instalações da Secretaria Municipal de Cultura (SMC), da Biblioteca Municipal Central e da Galeria Angelina Waldemarin Messemberg.

Na avaliação do atual secretário de cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, as instalações não podem ser consideradas ultrapassadas ou inadequadas após cinco anos de uso. “Dos grupos que vêm de fora, os elogios ao teatro são grandes, especialmente em relação a sua estrutura e à parte técnica”, comenta.

Para o titular da pasta, o espaço mantém-se em uma situação que ele chama de privilegiada, especialmente no que se refere a sua manutenção, em comparação com a situação geral da administração municipal. “Foi criado um fundo de manutenção e todas as peças que se apresentam deixam uma porcentagem da bilheteria. O fundo é totalmente revertido para manutenção, tanto da parte de iluminação, como da estrutura física”, diz. O fundo recebe 12% da bilheteria de todas as peças e espetáculos que ocupam o palco do teatro, porcentagem mais alta do que a média das casas, que é de 10% no Interior.

O diretor do Departamento de Ação Cultural da SMC, Sivaldo Camargo, defende que o teatro é apenas ultrapassado em qualidade técnica e estrutura por uma pequena porcentagem de espaços culturais do País.

De acordo com Camargo, a estrutura do teatro, em todos os aspectos, é a mesma desde sua inauguração. “Não foi acrescentado nada, mas foi mantido. Isso já é um ganho em comparação com outros teatros. A estrutura e a parte técnica vêm sendo conservadas. Somente no mês passado, fizemos uma compra de R$ 6 mil em lâmpadas. Os equipamentos são caros mas, graças ao fundo, isso vem sendo mantido”, frisa.

Na opinião da produtora cultural Érika Dios, da bauruense EL Teatro Produções, o espaço mantém-se em bom estado porém com diversos pontos que poderiam ser aperfeiçoados. Ela cita a informatização da bilheteria como uma das principais necessidades.

“Há coisas que precisam ser melhoradas, na questão de instalação, de equipamentos, de se ter mais recursos, até mesmo para receber espetáculos maiores”, lamenta.

Por conta da utilização constante do espaço, a SMC definiu o mês de julho para paralisar as atividades no teatro e realizar a manutenção geral dos equipamentos. Segundo Vinagre, serão instalados detetores de fumaça e algumas roldanas e cordas do palco também devem ser substituídas.

“São coisas que se desgastam pelo uso. Não há uma questão específica para fecharmos o teatro, nem mesmo do mês escolhido. Coincide apenas com o fato de não ter nada agendado, já que uma hora precisaria parar de qualquer maneira”, explica o secretário.

Durante as duas últimas semanas, o Centro Cultural sediou a 5.ª edição da Feira do Livro Infantil, que teve programação intensa de atividades, palestras, apresentações teatrais e musicais e reuniu mais de 16 mil visitantes. O teatro foi integrado à programação com a apresentação de espetáculos durante o dia, especialmente voltados para crianças, e também no período noturno, direcionados às famílias.

Até o final do ano, o espaço ainda deve receber uma série de peças já agendadas, além dos festivais municipais de corais e de dança. Já estão programados também o festival Arte Sem Barreiras e a eliminatória regional do Mapa Cultural Paulista, promovido pela Diretoria Regional de Cultura. Até o fechamento dessa edição, ainda não havia definição sobre algum evento em comemoração ao aniversário do teatro.