09 de julho de 2026
Cultura

Critérios da SMC provocam críticas

Diego Molina
| Tempo de leitura: 3 min

Com o Teatro Municipal Celina Lourdes Alves Neves sob sua administração desde o início do ano, o secretário municipal de cultura, José Augusto Ribeiro Vinagre, e o diretor do Departamento de Ação Cultural, Sivaldo Camargo, vêm realizando mudanças para o agendamento de datas no espaço para produtores e companhias independentes. O procedimento, ainda sem definição clara, desagrada os responsáveis pelas apresentações de espetáculos na casa.

Segundo Camargo, um grupo de produtores locais foi chamado para reuniões na SMC no início do ano, para que lhes fosse passada a destinação que a pasta pretendia dar ao espaço. “Queríamos chegar a um consenso sobre o que a gente pretendia. Percebemos que existiram trabalhos (apresentados no teatro) que eram só comerciais e a qualidade deixava a desejar. O que pretendemos é achar um meio-termo entre ter um bom trabalho e público, funcionar comercialmente e ter qualidade”, destaca.

Érika Dios, sócia da produtora EL Teatro, confirma que o diretor de Ação Cultural deixou claro nas reuniões que seriam estabelecidos critérios para selecionar quais espetáculos poderiam ser agendados. “Concordamos, mas precisa se definir os critérios. Ele (Camargo) afirmou que não queria trazer peças vulgares ou peças caça-níquel. Nunca produzimos esse tipo de teatro, então não vemos problema. É um posicionamento claro, desde que seja estabelecido em critérios”, frisa a produtora, responsável pela apresentação de peças como “Dois na Gangorra”, “Coração Bazar” e “Monólogos da Vagina”.

Por outro lado, Érika relembra que o teatro é um espaço público e que o estabelecimento de critérios pode ser entendido como um tipo de censura. “Deve-se pensar que o teatro pertence a uma comunidade”, diz. Na opinião da produtora, um caminho seria a distribuição de datas entre espetáculos que garantam boa bilheteria e a apresentação de peças e grupos alternativos, até mesmo financiados pelos recursos do fundo de manutenção, obtido com a bilheteria.

Ela ressalta ainda que a SMC passou a exigir que os produtores apresentem os pedidos de data por escrito, acompanhados de material completo sobre o espetáculo que desejam levar para o teatro. Segundo a produtora, a EL Teatro teve pedidos de reserva e alteração de data negados, e as respostas da secretaria não teriam sido fornecidas devidamente.

“Foi uma surpresa não receber uma resposta por escrito, já que eles pedem, mas não dão o retorno devido. Infelizmente, a impressão que temos é de que os critérios são pessoais. Exigimos uma resposta por escrito até para que tenhamos um respaldo para responder às pessoas o porquê de não estarmos mais produzindo espetáculos aqui”, critica Érika.

O produtor Renato Chiquito, da Chiquito Produções, comenta que concorda com o estabelecimento de critérios para o agendamento de peças mas teme que a seleção prejudique o trabalho da empresa na produção dos espetáculos na cidade. “Entendemos a forma como a secretaria vem agindo. Nós temos uma demanda de peças comerciais e a seleção pode deixar peças boas de fora. Trabalhar com cultura é a nossa profissão e não sabemos até que ponto isso se tornará inviável”, diz.

Chiquito, responsável pela apresentação das peças “Uma Empregada Quase Perfeita” e “A Mandrágora”, também elogia o posicionamento da SMC de manter o diálogo com os produtores. “No ano passado, o teatro estava praticamente fechado para novos produtores. Esse ano, parece que os novos produtores tiveram uma maior abertura de trabalho para conseguir datas no teatro e também de transparência para explicar os processos”, ressalta o produtor.

Vinagre assume que ainda é preciso que sejam estabelecidos os critérios objetivos para a seleção das peças. “Pensamos em aliar a questão comercial com a qualidade. A idéia é promover outras reuniões para, em conjunto, tirar esses critérios com relação à cessão de espaço para a produção independente”, explica. De acordo com o secretário, a atitude assumida pela SMC no início do ano foi de marcar posição quanto a sua influência na programação do Teatro Municipal. “Queremos influenciar e até direcionar pela qualidade”, diz.

Sobre as críticas da demora nas respostas e na objetividade dos critérios, Vinagre responde que os problemas ocorreram em casos isolados e que a SMC tem tentado responder aos produtores de maneira ágil. “Tivemos um problema de comunicação mas estamos tentando responder a todos”, finaliza.