O presidente Lula viaja de avião a Roma para assistir a cerimônia do funeral do papa João Paulo II. Leva consigo uma caravana que incluiria até uma senhora “mãe de Santo” se ela não tivesse perdido o vôo e chegado atrasada para o embarque, além de figuras impopulares de nossa cambaleante política. Para quê? Qual a razão para tudo isso? Por que Lula não fez como os países civilizados que enviaram dois ou três representantes em vôo de carreira?
Se pudéssemos contabilizar o prejuízo que essas viagens trazem para os cofres do nosso País, os governantes talvez pensassem dez vezes antes de saírem felizes feito escoteiros para um acampamento.
Junto com a comitiva pluripartidária, multi religiosa e suprarracial estava presente o doutor honores causa FHC, que até onde sabemos é ateu confesso. Pois mesmo assim, não teve dúvidas em fazer as malas e atender o chamado para viajar no Aérolula rumo a Roma para depois dar uma esticadinha até Paris.
Enquanto isso, temos mais uma chacina comandada e executada por policiais cariocas na baixada fluminense, com o saldo de 30 mortos. Temos o governo de São Paulo impotente depois de dez anos de gestão diante de questões como a segurança pública, a Febem e uma onda de seqüestro que aterroriza toda a população paulista. Mesmo tendo vendido várias empresas, a dívida do Estado mais rico da nação beira os R$ 120 bilhões segundo os parlamentares da oposição.
Temos a pauta do Congresso totalmente atravancada desde o ano passado antes das eleições municipais. Situação agravada com a escolha do deputado Severino Cavalcanti para a presidência da Câmara dos Deputados. Nada ou quase nada do interesse do povo brasileiro está sendo aprovado naquela casa da leis. Discutem-se cargos, nepotismo, indicações, apoios, mas não se trabalha única e exclusivamente pelo povo, para o povo e em nome do povo sofrido de nossa terra.
Temos seca no sertão nordestino e agora também no Sul do País, principalmente no Rio Grande do Sul onde a lavoura está perdendo espaço para áreas que estão formando naquela região produtiva imensos desertos.
E o presidente viaja, os deputados viajam, os senadores viajam, o Judiciário viaja e o povo paga a conta enquanto a milhagem corre solta. E o pior é que, além dos que viajam literalmente para o Exterior a preço de ouro, temos também os que permanecem em solo brasileiro viajando na maionese. Como, por exemplo, o prefeito César Maia da cidade do Rio de Janeiro, que sugeriu que o dinheiro retido pelo governo federal correspondente à saúde daquele município tivesse parte realocada na conta das obras do Pan Americano/2007 a ser realizado naquela cidade.
Enquanto Lula viaja, nós seguimos nossa vida de pagar tributos e recolher impostos para governos das três esferas (municipal, estadual e federal), sem que os mesmos se dêem ao trabalho de disfarçarem que estão preocupados com os rumos que a nossa nação está tomando diante de tanta desfaçatez e omissão. Claro que um dia a casa vai cair e não vai adiantar lamentos chorosos quando a sociedade brasileira finalmente cansar de ser enganada por mandatários que estão brincando de governar.
O povo brasileiro paga bilhões por ano de impostos que são jogados no ralo da nossa economia e que não trazem retorno algum em benefícios como obras de saneamento básico, estradas, modernização aeroportuária, geração de empregos e revitalização da saúde e da educação em nosso País. Um dia, a periferia sairá às ruas para cobrar a sua parte na festa e esse dia não está muito distante, pois paciência tem limite e a do nosso povo já tem 500 anos de espera.
Rafael Moia Filho