08 de julho de 2026
Cultura

Ferrovia: comemorar ou criticar?

Thaís da Silveira
| Tempo de leitura: 3 min

O Dia do Ferroviário (30 de abril) e os 151 anos de história da ferrovia no País serão lembrados na cidade durante a Semana do Ferroviário, que começa hoje no Museu Ferroviário Regional de Bauru e termina no sábado. O evento é também uma oportunidade de questionar se a atual situação das estradas de ferro na região e no Brasil merecem comemoração ou críticas.

A semana - promovida pela Secretaria Municipal de Cultura (SMC); Serviço Social das Estradas de Ferro (Sesef), órgão ligado ao Ministério dos Transportes; Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias em Bauru, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul; Conselho do Museu Ferroviário Regional e subsede Bauru do Sindicato dos Trabalhadores em Empresas Ferroviárias Paulistas - terá exposição de fotos, exibição de dois filmes, palestra com um ex-ferroviário, visitação ao museu e passeios de maria-fumaça para ferroviários e parentes.

Henrique Perazzi de Aquino, da SMC, afirma que a semana também tem como objetivo a aglutinação dos ex-ferroviários aposentados de Bauru. A secretaria pretende promover atividades mensais e transformar o museu num local de referência para a categoria. “Achamos que os ferroviários estão um pouco dispersos, que não têm um ponto de encontro, de lazer. Estamos oferecendo o espaço do museu para que eles possam se reunir e ter atividades variadas”, expõe.

Na opinião de Aquino, a oportunidade merece tanto comemorações quanto críticas. Ele explica que os filmes que serão exibidos, a exposição de fotografias e a palestra com o ex-ferroviário Rafael Martinelli chamam a atenção para o sucateamento da malha ferroviária. “A gente louva a ferrovia mas também nos preocupamos porque ela precisa ser salva. Em todos os momentos, vamos propor a discussão”, justifica.

Para Roque Ferreira, presidente do Sindicato dos Ferroviários, há muitos motivos para comemorar. “O Dia dos Ferroviários é extremamente importante e temos de comemorar, mesmo na atual situação. Temos de comemorar a disposição e consciência dos trabalhadores sobre a importância do sistema de transporte para o País. É fundamental manter a memória das contribuições da ferrovia no passado para irrigar o futuro”, argumenta.

“Comemoração não implica em concordância e pode se dar de maneira crítica. Esse, por exemplo, é um projeto para colocar a história ao alcance da população, como um estímulo para o debate”, acrescenta Ferreira.

Programação

Sob o tema “Ferrovia, ferroviários - 150 anos construindo a história do Brasil”, a semana será aberta às 16h de hoje, com a exposição fotográfica “Ferrovia Cidade a Cidade” do fotógrafo amador Darci Bueno, que é presidente do Conselho Deliberativo do Museu Ferroviário Regional.

“Comecei o trabalho em 1997, no período em que houve a privatização e abandono das casas, das estações e da própria ferrovia. Tirei fotos que demonstram a falta de manutenção desse setor. É uma crítica bem light, mais para a pessoa fazer uma análise sobre o sucateamento”, explica Bueno.

A abertura da semana também contará com uma palestra do ex-ferroviário Martinelli, que é ouvidor do Sesef e que exerceu uma forte atuação política em defesa da causa ferroviária. O documentário “O trem do Brasil - ontem, hoje, imagine o amanhã”, de Noilton Nunes, será exibido amanhã, às 10h e às 14h. A produção independente “Trem do Pantanal” é outro filme que será exibido no evento, com sessões às 10h e às 14h, na quinta-feira.

Também estão previstos passeios de maria-fumaça exclusivos para ferroviários e parentes, às 10h, 11h, 13h e 14h (os convites começam a ser distribuídos hoje).